sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
POR QUE NATAL?
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
NATAL

Tu que das mais altas paragens desceste
Na doce capelinha o plangente sino
A ressoar dizendo que nasceste.
A humanidade em profundas trevas
Viu o raiar de peregrina Luz
Jesus, o grande Deus Emanuel
Que os homens maus mataram na cruz.
E a cada dia Vos ferimos mais
Ignorando a dor dos pequeninos
A cada dia te sacrificamos
Em altares fétidos e desatinos
Nos festivais de belas mesas fartas
Inconscientes festejamos mais
\Sem entender o que festejamos
Mais parecemos belos animais.
2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
O FIM/INÍCIO

As flores já não tem mais cor
A natureza vai se desfocando
E a vida vai se transformando em dor.
O fim/início vai se aproximando
Hei de quebrar esta servidão
A luz intensa vai se definindo
A esperança renasce do chão.
Ah! Como é lindo pairar no infinito
Livre da tristeza e da solidão
Ouvindo perto vozes tão bonitas.
Vão desfazendo o antigo ser aflito.
Mais uma vez no vero lar estou
Mais uma vez hei de me avaliar
Juíza austera seu posto tomou
É a consciência em meu coração.
As cenas passam com clareza tal
Fazem de novo ver as aflições.
Meu peito explode com as emoções
Vergonha, vergonha do mal.
A eternidade terei para sorrir
Porém nem tudo serão flores
Pois esta taça ainda vou sorver
Muitos serão ainda os dissabores.
Assim a vida não v ai terminar
Para a perfeição,sempre caminhar
A dor plangente, sim terminará!
Na glória linda hei de triunfar!
José Luiz
2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
VERSOS DE PAZ
SEMPRE CANTAREI
Mesmo que o sol não apareça
Mesmo que a tarde entristeça
Mesmo que falte a alegria
Mesmo que tarde a harmonia
Mesmo que o peito se cale
Mesmo que o amor não exale
Mesmo que fira-me a foice
Mesmo que a vida enfraqueça
Mesmo que a mente se esqueça
Mesmo que a luz esmoreça
Mesmo que a tristeza apareça
Mesmo que sequem as flores
Sempre ressurgirão
No ciclo eterno da vida
Sempre há esperança em meu chão
Pois esta vida que amamos
De uma história sem fim faz parte
Por mais que não compreendas
Dentro de ti Deus está
Procura e o acharás
Aquieta-te e o silêncio virá
A paz sempre há de brotar
A morte não mais assusta
Pois vida maior trará
A morte não mais assusta
Pois há de me libertar
Desta gaiola de carne
Que enfraquecida já está
Os sofrimentos acerbos
Desta vida tão sofrida
Passado então se fará.
José Luiz
2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
JESUS EM MINHA NOITE

Nesta noite de minh’alma aflita
Estendo as mãos ao vazio da vida
Só meu Mestre é quem me traz sentido
Só o Mestre é minha guarida.
Se a tempestade demora a passar
Nesta vida não vejo alegria
Noite escura invade minh’alma
Noite escura e sem fantasias.
Mas o Mestre desfaz\meus temores
Só o Mestre desfaz os horrores
Do meu barco quase a naufragar.
Jesus é mão segura e amiga
Jesus é paz em minha vida
Jesus é fonte Sempre a jorrar.
José Luiz
10/2008
terça-feira, 21 de outubro de 2008
domingo, 19 de outubro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
SÚPLICA NA ANGÚSTIA

Sinto-me repulsivo. Os que me vêm fogem de mim com asco.
Meus olhos não querem mais a luz do sol.
Desejo ardentemente a morte, mas ela também foge de mim.
Sinto-me condenado à vida
Que nada mais é do que morte impiedosa!
Meu crânio é qual caixa rota cheia de tristezas e frustrações.
SOCORRE-ME SENHOR!
As palavras são tão pequenas, tão frágeis e insuficientes.
Todos os meus sonhos se desvaneceram como fumaça que se perde no espaço.
Meus pensamentos são nascentes de rios de lágrimas.
Não há um humano, um filho de homem sequer,
que possa atenuar o sofrimento desta hora.
Oh, Mestre Divino! Meu amigo incomparável!
Só Tu restaste em minha vida!
Ergue-me do lodaçal em que me encontro
e lava-me com o Teu sangue precioso!
Só Tu podes me ajudar!
Faz-me encarar a dor da vida
como ponte bendita sobre águas revoltas:
a ponte que leva à felicidade incomensurável
da sensação do dever cumprido!
Socorre-me Senhor querido!
Provê a minha alma de forças para palmilhar
dignamente, o que resta da espinhosa estrada.
Que assim seja.
José Luiz
03/11/2005
PROTESTO

Dos indolentes, dos alienados.
Não me conformo com tanta injustiça.
Com ser humano a mendigar o pão
A revirar nauseabundos restos.
A contemplar o pavoroso incesto,
Dos poderosos com governos vãos.
Que não protegem tantos bons incautos,
que o seu poder puseram-lhe nas mãos
E distraídos seguem suas sinas,
sem atentar ao que é tão visível,
Achando tudo muito natural
A construir as catedrais de areia
Que se desfazem na amplidão do espaço
Pois nada são, mas fazem tanto mal.
Ao desviar-nos da realidade
Ao evitar nossa real catarse
Ao enraizar nossa ilusão, disfarce
Ao distanciar-nos do que é Real.
José Luiz 2003
PAZ NO MAR

Se a desilusão cai sobre o teu mar.
Não te desanime o fogo da tormenta.
Não te intimides; põe-te a navegar!
Com certeza as ondas te sufocarão.
E o desespero no teu coração,
há de ser punhal, que de forma lenta
Quase à perdição te carregará.
Olha para o céu, navegante aflito!
Deus não é aquilo que te ensinaram.
Deus é tudo isto que ao teu lado vibra!
Não te deixará preso na fadiga.
Saiba viajor que aqui estás,
Mas que em breve tempo, tudo passará.
Só a tua alma, que de Deus provém,
Para Ele volta nos portos do Além.
Toma consciência que no Todo estás.
E que a Roda Viva nunca parará.
Esta consciência te trará a paz,
Nos braços do Pai, tu descansarás.
PAI NOSSO LIVRE VERSÃO

Santificado seja o Teu Nome, acima de todo nome.
Venha a nós o Teu reino de Justiça e de Verdade.
Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como em todo o Universo, a saber, o Amor e a Concórdia.
O pão da humildade e dignidade, daí a todos, Senhor.
Perdoai as nossa dívidas pretéritas e presentes, dando-nos o ensejo de redimí-las,
e perdoaremos a todos que, na sua ignorância,
nos caluniam e prejudicam.
E não nos deixeis cair na tentação da matéria corrompida,
mas livra-nos do Mal e, coloca-nos acima dele.
Que assim seja.
OS QUE NÃO AMAM

Antropofágicos seres do Mal
Que se comprazem na desgraça
Que não compartilham o sono dos justos.
Sedentos de sangue humano
Chafurdando vão em pútridos despojos
Ensandecidos pela sede de poder
Enegrecidos pela vida alienada
Distorcidos
Corrompidos
Presunçosos
Presumidos
Amorais
Canibais
Imundos
Boçais
Analfabetos no Bem
Ignorantes do Belo
Escarnecem a Justiça
Perseguindo inocentes
Não importam os meios
Só importam os fins
Infelizes, desgraçados
Colherão espinhos bravos
Única messe possível
De vidas inteiras que se voltam ao Mal
No lamaçal hão de atolar
De suas vítimas, na vingança colossal.
José Luiz 2003
OS ESPINHOS

que te ferem a carne de dor lancinante,
são instrumentos benditos,
banhados em luz em luz fulgurante!
Tenta sentir as dores da cruz;
Dos cravos horrendos nas mãos de Jesus;
A dor da humana carne que te dá o exemplo;
E que te convida à não- revolta contra o sofrimento!
Não os sofrimentos do abuso alheio
Sobre teu suor que corre desordeiro.
Mas os espinhos d’alma que se não evitam
e que são tão fortes quanto a desdita.
Não! Não esbravejes contra a ponte
que remir-te vai.
Encontra a resposta na grande História;
gravada em ti mesmo em milênios obscuros.
Sobe aos altos montes
Reflete em teu seio
Que o madeiro a alçar teu corpo desfeito
Servir-te vai de ponte pra cruzar os rios.
Esses rios bravios que nos metem medo!
Desperta amigo!
A alvorada vem!
A iluminar tua fronte cansada de aquém,
E verás que a cruz de tão grande peso;
Que os espinhos, cravos do teu sofrimento
Hão de transformar-se em lágrimas de alento.
JOSÉ LUIZ 2008
ORAÇÃO

Venho agradecer-Te,
pela vida e pela morte,
pela paz e pelos conflitos,
pela dor e pelo Dom da cura,
pelos amigos e pelos inimigos.
por minha família e por meu trabalho,
por ser parte da grande engrenagem
mergulhada em Ti.
Senhor, dá-me a graça de ser:
luz nas trevas da ignorância e do ódio,
paz nas desavenças,
força na fraqueza,
alegria na tristeza,
esperança na aflição.
Senhor, apressa-Te em socorrer:
a todos os aflitos,
aos pais que choram por seus filhos,
aos filhos que lamentam o desamor
entre seus pais,
aos encarcerados em grades de ferro
ou em si mesmos,
aos excluídos da sorte e do bem comum,
aos deprimidos.
Senhor, socorrei a todos os enfermos
em suas dores físicas e morais.
Enfermos do corpo e da alma,
aos que aqui ainda se encontram e
aos que já se despiram da carne.
Que assim seja.
O SER HUMANO

Devo amá-lo ou odiá-lo?
Maravilhoso, cheio de astúcia.
Mas tantas vezes ignorante,
De que na Terra é um viajante.
E junto ao tempo irão passar,
Tantas pessoas a caminhar.
Tu és demônio ou és um deus?
Tu és o Bem, tu és o Mal?
Frivolidades e ilusões.
Inconsciência, decepções.
Tu és a imagem do ser divino.
Tu és sujeito do teu destino.
Os pés na Terra, olhos no céu.
Eivada a vida de desatinos.
Caminho torto, caminho ao léu.
E nos caminhos desta viagem,
Quanta maldade, quanta miragem!
O teu destino é o Grande Ser.
Mesmo em milênios pra Ele irás.
E assim prostrado te humilharás.
Pois Sua grandeza é infinita.
É o Deus dos deuses, a luz bendita.
José Luiz 2003
NÁUSEA
daqueles em que a mesquinhez abunda.
Daqueles que a vaidade corrompeu.
Dos que nada refletem sobre o “Eu”
Daqueles que em grande festa choram.
Daqueles que em grande pranto riem.
Daqueles que a inveja degradou.
Daqueles que valor dão às migalhas.
Daqueles que constróem mil muralhas.
Se fecham para o Sol e para a Luz.
Se agridem e promovem os tabus.
Daqueles que distorcem a verdade.
Daqueles que destroem amizades.
Daqueles que em engano violento,
presumem-se do mundo ser o centro.
José Luiz 2003.
MÃE
Abraçar-me-ia a teus pés,
Chorando, sorrindo e pedindo:
Perdão!
Pelas palavras mal faladas,
Pela existência sofrida,
Pelas chagas e feridas
Que fiz em teu coração!
Tu bem sabes que te amo.
Que por toda a minha vida
Temi a grande ferida
Que hoje trago no peito.
Tu eras a razão de meu viver!
À luz dos teus olhos serenos,
Tão tranqüilo descansava.
Mas hoje as trevas invadem,
Sem compaixão ou piedade,
Os frangalhos de meu ser.
Hoje grito sem resposta:
Onde está o teu sorriso?
A dor que sinto é tamanha
A solidão me devora,
Por que partiste tão cedo?
Por que tu foste embora?
Oh dor suprema
Que a cada dia cresce.
Como seta flamejante e rude,
Canção e alegria emudecem.
JOSÉ LUIZ
1991
LUZ

Novamente a escuridão.
Pesam-me o peito e estas chagas,
Pesa-me a vida como vagas.
A tarde lá fora, é linda.
Mas negro vai meu coração.
E a luz me foge aos sentidos.
E a paz desaparece sem perdão.
Sou condenado, sou ferido,
Sinto que parte a salvação,
Oh, alma triste, acabrunhada,
Por que te entregas à tristeza?
Tu, que contemplas a beleza,
Desde sol lindo, desta luz?
Dos belos gestos da harmonia.
Do entardecer o fulvo céu.
Das cachoeiras o sussurro.
Dos interiores o sertão.
Dos altos montes os penedos.
Do céu carmíneo as tempestades,
E do Senhor a compaixão?
Que acaricia nossas frontes,
Com ternos beijos paternais.
Que infla a vida de mistérios,
Pra que avancemos sem cessar?
Marcha perene do progresso,
Que nos obriga a caminhar.
Que como o sol, mesmo cansado,
É obrigado a amanhecer.
Mesmo tão triste e esmagado,
Sou obrigado a padecer.
Mas nesta vida, tudo passa.
Sei que a Passagem é real.
Quero seguir nessa viagem,
E um dia em luz me transformar.
E cessarão todas as dores.
E do Senhor, as lindas mãos.
Hão d’estas lágrimas secar.
Felicidade sem limites,
Fonte perene a jorrar.
Vida sem fim, vida de luz.
Vida de paz, com meu Jesus.
José Luiz 2003
ERROS

Abandonando a cruz à beira do caminho.
A cruz que nos faria felizes.
A cruz que ponte seria,
Na abissal travessia,
Composta de pedernais caminhos,
Do tempo que nos intriga,
Da vida que nos fustiga,
Do cansaço que nos congela mil vezes,
Mil vezes nos faz cair.
E os que por nós vão passando,
Vão meneando as cabeças.
Tão poucos nos trazem luz.
Tão poucos nos incentivam.
Tão poucos são Cireneus,
Mas muitos nos martirizam.
E tantos nos querem mortos.
São tantos que nos castigam.
Pisando os dedos cansados,
Que em vão se agarram às pedras,
À beira do precipício.
José Luiz
27/02/2004
DOR E ESPERANÇA

Minh’alma estanca e empalidece.
E ao refletir na paz dos cemitérios,
No fim das glórias dos impérios,
Ouço apenas o som de longas preces.
E qual tesouro por anos escondido,
Nas profundezas fofas de uma terra,
Busco a felicidade, sem destino.
E na memória guardo desatinos,
Inconscientes, dormentes bestas-feras.
Porém é neste céu de esmeraldas,
Que avisto os louros verdes da esperança.
Quem sabe um dia encontre meus queridos,
Que há tempos atrás, tão doloridos,
Partiram, e hoje guardam mil crianças.
E aos ecos desta crença me enterneço,
Nutrindo de energias minha lida.
Expectante, avisto mil belezas.
Contemplando a Deus na natureza,
Dando sentido à minha pobre vida.
Oh meu Jesus, contemplai minhas misérias!
Causadas por mentiras e calúnias.
Não permitas que minh’alma se enegreça.
Não permitas que a bondade adormeça,
Pois dos justos já sorvo a taça ebúrnea.
José Luiz 2003
DEUS É AMOR

Ah se soubéssemos quão pequenas são diante da amplitude de Deus em seu verdadeiro sentido!
Como almejaria que todo o amor do universo infinito buscasse guarida nos corações! Todo o amor, do qual os homens jamais deveriam ter se afastado, desde o princípio. Pois na verdade, tudo se resume nesta única palavra: AMOR. A felicidade e a paz são suas filhas mais queridas.
Mas, o que é o amor?
O amor nunca foi egoísta, não se resume a uma única pessoa. Sentimento tal, jamais deveria ser chamado amor. Todos nós, mergulhados estamos em Deus e Ele é Amor. Sendo assim, o Amor sublime é o que ama a todos indistintamente, até aos maiores inimigos. Longe estou de alcançar tal sublimidade, pois às pequenas coisas ainda me apego, tal como a criança insiste ser seu um brinquedo que não é.
Quão bom seria se todas as pessoas se conscientizassem de que “todos nós fazemos parte de uma história sem fim! Não buscariam gozar desesperadamente de todos os prazeres que nossa passageira vida oferece. Todas as almas se asserenariam nos “grandes braços de Deus” e compreenderiam o verdadeiro sentido da vida”.
Mágoas, dores, decepções, tristezas... São simplesmente sombras que desaparecem, sombras que nada têm a ver com a realidade da vida que jamais acaba!
Oh, quão feliz seria se tivesse compreendido tais verdades há tempos atrás. As montanhas seriam então, castelos de areia, e a revolta amarga jamais teria em mim feito morada! Mas nunca é tarde, pois nossa história não tem fim. A tristeza morre, mas a felicidade pode ser eterna!
CORPO
Pois tua mente
é uma colcha de retalhos
sujos, fedorentos, nauseabundos.
Cultiva o teu corpo,
na animalização necessária
do sexo sem medidas,
do prazer a qualquer custo.
Da alma deformada,
por paixões inconfessáveis.
O corpo: única coisa que te resta.
O corpo: transitório, de uma aridez causticante,
intrigante, galopante.
O corpo: dom divino que não mereces.
Instrumento de glória,
que tratas como simples objeto.
Instrumento que não sabes manusear.
Pois tua alma é animal
que não se sacia jamais.
Que chafurda nos despojos pútridos
da própria selvageria.
Que se junta aos males
torpes deste mundo.
Adora teu corpo, pois;
é a única coisa que te resta.
No frenesi incontido,
enlouquecido de consumir.
Anestesia que embala
um mundo corrompido, sem sentido.
Alucinógeno tão útil
gerando lucros insaciáveis,
descartáveis, deploráveis.
Daqueles que se fartam
de alheios tesouros,
juntados a tanto custo.
Daqueles que se furtam
aos verdadeiros sentidos,
desconhecidos, ocultos e doloridos
Pois teu deus é o teu corpo.
Mas deves lembrar-te sempre:
matéria corruptível...
matéria corruptível...
matéria corruptível.
José Luiz 2003
ARREPENDEI-VOS
chafurdareis nos vales pútridos?
Até quando sereis trevas?
Até quando sequidão?
Até quando vazia solidão?
Até quando não haveis de vislumbrar
a luz que vos rodeia?
Até quando vos entregareis ao crime,
à lascívia, ao ódio?
Não percebeis que odiando ao vosso irmão,
odiais a vós mesmos?
Tudo o que vive está interligado
num Grande Todo.
Não vos enganeis. O acaso e o nada
simplesmente não existem.
Cedo ou tarde sereis convocados ao
tribunal de vossa própria consciência,
através da dor lancinante em regiões sombrias.
Então o vosso ódio há de se agravar ou atenuar?
Bastará o arrependimento sincero
e as coisas mudarão.
A tempestade há de dar lugar à
bonança de renovadas esperanças.
Porém, havereis de aguardar o desenlace?
Na verdade, “aguardar” não é a palavra certa.
Havereis de deixar cegamente a vida passar?
E ela passa como vento destruidor.
A luz sempre foi o vosso destino.
Por que preferir as trevas?
Não havereis de retardar a luz por muito tempo.
Ela virá dissipar toda a escuridão.
Então aqueles que persistirem nas trevas,
não mais terão lugar aqui.
Arrependei-vos e aproveitai os derradeiros
momentos de vossa grande oportunidade.
José Luiz da Silva 2004
ANJOS DE LUZ

A quem Deus confiou a luz.
As mães são seres bonitos
Que com amor infinito
Carregam dos filhos a cruz.
Oh morte, por que separas,
Aqueles que tanto se amam?
A campa fria escancaras,
Com suas bocas bizarras
Recolhem corpos de anjos.
Mas anjos não morrem nunca.
Estão a velar por nós.
Invisíveis, luminosos,
Silenciam a voz atroz
Oh, minha mãe tão querida!
Sei que estamos sempre unidos.
Não estás na tumba fria,
Pois encontraste teus guias,
e nossos anjos amigos.
E ansioso aguardo o dia,
De em luz te contemplar.
E músicas inefáveis, maravilhosas,
Em esferas de luz garbosas,
Vamos felizes cantar.
AMIGO MAIOR

Jesus, Jesus, Jesus.
Só este nome nos acalma as dores
Jesus, Jesus, Jesus.
Iluminai nossas vidas.
Atenuai nossas dores
Por que se inquieta minh’alma?
Por que me sinto infeliz?
Por que te inquietas, minh ‘alma?
Sê Jesus a minha paz!
Se tudo está em Suas mãos
Por que se inquieta minh’alma?
Por que tanta solidão?
Saudade tenho de Ti.
Lindo Mestre Galileu.
Sorrindo dizes meu nome.
Chorando estou de emoção.
Avanço e beijo Teus pés
Oh, minha consolação!
Sei que a luta não é em vão.
Não sou digno de ti
Sombrio é o meu coração.
Mas o amor de meu Mestre
Consola-me a solidão.
Quando tão frágil eu me sinto
Quando há trevas no abismo
Ele me estende Suas mãos.
Oh, dia lindo e longínquo!
Em que hei de contemplá-Lo
Esta esperança me acalma
Esta esperança me embala.
Mas a jornada ainda é longa.
Vencer a mim eu preciso
Nascendo, morrendo e nascendo.
Chegarei ao paraíso.
JOSÉ LUIZ - 2008
domingo, 7 de setembro de 2008
ILUSÕES

Como as águas daquele rio
Tudo tão lisonjeiro
“Vaidade das vaidades; vazio”.
É esta a dor da alma triste
Estar feliz agora; e depois?
Perder a tudo o que mais se ama.
Perder a luz dos olhos, perder o amor.
Vazio está meu peito, sem guarida.
Vazia vai a vida até o fim.
Vazio serei na hora da partida.
Vazio de graça, vazio de mim.
Oh, Deus dos tristes combalidos.
Não permití que a vida passe assim.
Quero o meu ser abrir a todos seres.
Ser ponte, ser rio, ser um festim.
Mas ao pensar na perda do que amo.
As ilusões que vão além do sonho;
Enche-me o ser triste amargor
E sinto a morte a arrefecer a dor.
José Luiz
2008
sábado, 30 de agosto de 2008
ANCIÃO

Prostrado e encurvado à beira do caminho.
Vertendo de seus olhos tristes lágrimas
Da vida tão cruel, de seu destino.
Sentindo a solidão ao fim da lida
Murmúrios no silêncio de seu peito
Desilusões aos pés do triste leito
A vida de suor, de sangue e lágrimas
A se extinguir plangente, ao léu, no estio
A força é que lhe falta prá morrer
A angústia da agonia a renascer.
O antigo viço, agora erva seca
Qual cana agitada pelo vento
A luz no fim do túnel tão distante
Faz renascer da vida a esperança
Da vida verdadeira e perene
Qual bonança após a tempestade
As luzes fulgurantes da alvorada
Vão inundando aos poucos o tugúrio.
Os seres cintilantes se aproximam
Com belas mãos apontam a escada
Que está ali, brilhando ao fim da estrada
E a vão transpondo em átimo feliz
Levando ao que renasce para a luz!
José Luiz 2003
REALIDADE IRREAL

Dormes. Não é esta a vida ideal.
Vives, mas não compreendes o mal.
E assim vegetas num charco mortal.
Ouves. Mas na ilusão, nada compreendes.
Vês. Mas o que vês não é real.
O que vês? O que vês?
Mundo imperfeito, enfermo, distorcido.
Homem sem razão, fremente, ensandecido.
Flores pálidas, frágeis, tão mortais.
Rosas que cintilam, tão belas, nos canais.
Mas que ao fim da tarde, tão pálidas,
Acompanhadas de suas crisálidas,
Desfalecendo, retornam ao Grande Ser.
Assim também és tu, que te glorias,
Visita os cemitérios e vê, quão curta a vida!
E um dia ali também teu corpo há de encontrar,
Repouso eterno e vil
Final indesejado, temido, amargurado.
E a ilusão que vês, assim, não mais será.
E a bela jovem de formas encantadas, amadas.
Em pouco ou muito tempo será indesejada,
Pois tudo volta ao pó do qual saiu.
Em pouco ou muito tempo, ao chão, tudo ruiu.
E assim caminha a vida, que não se explica nunca.
E assim os nossos sonhos, pouco a pouco se desfazem.
O lume que dá vida, pouco a pouco se apagando.
As coisas caminhando, em marcha irracional.
Os homens se matando, macabro ritual.
Benéficas mensagens se perdem no astral,
E tu que não escutas, és surdo, és sepulcral.
Assim a vida marcha, efêmera, irreal.
José Luiz 2003
BATALHA

Caluniam-me,
Desprezam-me.
Atiram-me no abismo.
Implacáveis suas línguas.
Ácidas, venenosas,
Implacáveis, mentirosas.
Mais mortais que a cicuta de Sócrates.
Mais dolorosas que a cruz de Cristo.
Mais cruéis que a forca de Tiradentes.
Polutos pensamentos exprimem.
Torpes intentos da alma.
Fustigantes,
Degradantes,
Massacrantes,
Humilhantes,
Horrorizantes.
De Deus distantes.
Enquanto debato-me,
Suplico forças ao céu.
Cada dia a batalha é mais cruel.
Mas um dia hei de chegar
Ao topo íngreme do monte
Pois forte é a mão que me sustenta.
Proteção inabalável é a Fonte.
A Ele devo o sopro da vida.
Justo e fiel é o meu Rochedo.
Luz de toda a verdade.
Farol a guiar minha nau
Nele um dia vai reluzir minha verdade,
Pois como disse Davi:
Diariamente “lavo as mãos na inocência”.
José Luiz
29/03/2004
DE QUE FALO?

Grande mestre,
Grande médico,
Grande remédio,
Para a ira,
Para o tédio,
Para o desejo,
Para o sonho,
Para a dor,
Para as feridas d’alma,
Para a força do jovem,
Para a senilidade do velho,
Para a vida farta
Para o infante tornar-se homem,
Para a tristeza
Para a alegria
Para a vida,
Para a morte.
De que falo?
Daquele que nos rege: O TEMPO.
José Luiz
29/03/2004
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
DEUS

Idéias que se encontram.
Idéias que se chocam
Idéias que se cruzam,
Idéias que se tocam.
Religião: ligação, re-ligação
Com o Deus que em tudo está.
Com esse ser grandioso,
que os mundos faz girar.
Início de todo ser.
Do micro ao macro poder
As galáxias girando,
Guiadas por Seu querer.
Cidadãos do universo!
Eis a Vida em toda a parte!
Palavras são imperfeitas,
Prá mostrar de Deus a arte,
Idéias se digladiam,
Palavras, vãs teorias.
Pois a UNIDADE da vida
Está mergulhada no Eterno
Que a tudo e a todos sustenta
José Luiz
21/11/2005
A PONTE
Dignidade para a taça de aflições.
Saber agradecer por meus tormentos,
Que vão moldando elementos,
Fortalecendo as entranhas d’alma.
Almejo a Tua Paz nas tempestades.
Almejo o Teu Amor nas calmarias.
Que a Ponte que me leva à outra margem,
Não seja renegada em minha vida.
Pois esta ponte é feita de aflições,
Amargos dissabores e prisões.
Num corpo onde vigora a imperfeição.
Na alma que celebra a salvação.
Na vida que é sombra do porvir,
Senhor, oh, daí-me forças prá existir!
José Luiz 2003
sábado, 9 de agosto de 2008
JUCUNDA INCONSCIÊNCIA
Perplexa, da vida quer sentido.
Amargamente se vislumbra o fim da luta.
E de terror se enche o destemido,
Que se propaga ao frio sidério e alto
Dos astros que nos olham sem piedade,
No drama em que se esfalfalm nossas vidas.
Na busca de uma só realidade,
Na busca de uma só felicidade.
No grito clamoroso, no deserto.
Tão longa a lassidão e desatinos certos.
Que fazem duvidar de um bom destino.
Arrancam de meu peito as esperanças.
Ao contemplar miséria nas crianças,
Que em lugar de pão têm fel rascante,
De amarfanhados sonhos que não chegam,
De tépidos olhares que humilham.
O que esperarei da treda estrada?
Pois certo é o fim, talvez o nada.
A morte nos espreita no caminho.
De pressurosos passos nos vestimos,
Na faina desmedida desta vida,
Que anestesia a parca lucidez.
Jucundos caminhamos para o fim.
José Luiz
24/03/2004
AMOR ETERNO

Na estrada triste da vida.
Olhos de luz que me encantam,
Cicatrizando as feridas.
O nosso amor é maior
Que as ilusões deste mundo.
O nosso amor é sem-par.
O nosso amor é profundo.
Amor que tudo suporta.
Amor que a tudo perdoa.
Amor que abre as portas.
Amor melhor que as coroas.
Oh Deus meu Pai, não permita,
Que o destino nos separe.
Não se dê esta desdita.
Juntos morramos sem males.
(À minha esposa Luzia - José Luiz - 2003)
ÁGAPE
O ÓDIO É FEL
Não odeies jamais!Ódio é veneno.
Ódio é fel.
Ódio é treva em teu céu.
Se te chafurdam a honra
No lamaçal de suas vidas,
Entrega a Deus tua causa.
Ele é Juiz, é guarida.
Se te desnudam o corpo,
luta contra os teus tiranos.
Porém, jamais te esqueças,
que a dor traz bênçãos, encantos.
A dor esmerilha a vida.
Ela te conduz à luz.
Não fosse a dor por que passas,
não te aterias à cruz.
Por isso, querido amigo:
Ora por teus inimigos.
Para cada fruto o tempo.
Pra ti a paz é abrigo.
José Luiz
2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
PENSAMENTOS
“Senhor, faze-me a cada dia trilhar os Vossos santos caminhos”.
“A esperança não pode morrer jamais, pois a vida faz parte de uma história sem fim”.
“Bendito o dia em que o grande sono, como brisa suave, adormecer-me a alma com suas asas de liberdade”.
“Criar é o que nos faz divinos”.
“Passa a aparência assim como murcham as flores, mas a essência permanece eternamente.”
“Espinhosa é a estrada que conduz ao bom destino”.
“Morte: carta de alforria; vida: prisão educativa”.
“O amor dos amantes é caricatura do verdadeiro Amor.”
segunda-feira, 28 de julho de 2008
O CEGO

Há muito que a luz fugiu de meus olhos.
Vivo de quirelas atiradas ao vento,
Sem palavra de fé ou avivamento.
Tirando da escória o meu alimento.
Sentado a sofrer em frente ao Templo.
Em vão eu recordo o passado feliz,
Com esposa e filhos em ninho de amor
Porém quando a luz fugiu de meus olhos;
A mulher deixou-me a chorar de dor.
Sem piedade disse: “Tu não vales nada”;
Procurar eu vou uma nova estrada.”
Quis suicidar-me, quase enlouqueci.
Por dias e dias eu fiquei ali.
Mas como a desgraça nunca chega só,
Os cruéis algozes desta vida vil
Sem dó me expulsaram do infeliz covil.
Saí pelas ruas sem destino algum
Talvez por piedade alguém me matasse,
Mas a indiferença, que fere qual espada;
Foi o que obtive nesta minha estrada.
A porta do Templo tornou-se meu ninho
Com alguma esmola sei que sobrevivo.
Na linda esperança já não tenho abrigo.
Só espero a morte que já sinto vindo.
Mas um dia ouço em meio à escuridão,
Todos comentando sobre certo homem;
Que a todos curava tão bondosamente!
Com o tocar das mãos ou com simples ordem
Dera vista a cegos,
Curara leprosos,
E que até mortos já ressucitara!
Tentei inquirir dos que estavam perto
Quem era este homem de grande poder
E cego que sou, então percebi.
Que me eram surdos os que estavam ali.
Mas bondosa alma veio a me explicar
Que o tal homem bom era o Nazareno;
Que a todos curava e estava a caminho
Grande e meiga alma dos pobres benquista.,
Única esperança de suas magras vidas
Única luz rútila que ao Pai conduzia.
No final das trevas desta longa estrada
Com olhos da alma avistei a luz.
Senti a multidão que o seguia impávida
Louco de esperança clamei: “Oh, Jesus!
“Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”
Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”
Já passara o homem com a multidão,
Muitos a ralhar: ”Deixa em paz o Mestre!”
Mas sei que cheguei ao Seu coração.
E a misericórdia me estendia a mão.
Então se aproximou uma voz infantil
Pelo braço pegou-me a dizer veloz:
“O Mestre te chama, velho Bartimeu!”
Depressa! Depressa!”E assim fomos nós.
Oh que alegria! Que contentamento!
Eu queria a vida, e a Vida me veio.
A correr entrei em sua presença
Sua meiga voz ouvi sem detença:
“Filho, o que queres que eu te faça?”
Era a minha hora, era a minha vez!
Oh Deus, nunca esqueces de um filho Teu:
“Que eu volte a ver”, então disse eu.
Sua amável destra tocou os meus olhos
E não tive dúvida, a noite acabara.
O dia raiava mais e ainda mais
Depois tudo claro, o mundo voltava!
Em minha frente o doce rabi
Sorria contente ao me ver feliz
Bondosa carícia fez em meus cabelos
E eu maravilhado abracei seus joelhos.
Nunca esquecerei, milhões de vidas passem
Do dia feliz, da libertação.
Quis seguí-lo então, onde quer que fosse
Mas ele me disse:
“Testemunha a outros tua redenção”.
Muito ainda falta prá com Ele estar.
Mas sempre haverei de testemunhar
Que Jesus é vida, Ele me salvou!
Que Jesus é luz que me iluminou!
José Luiz 2008
ORAÇÃO PELOS SOFREDORES

Senhor de Nazaré,
Nossa luz suprema, Senhor de nossa fé.
Contempla nossas dores, angústias, dissabores.
Ampara nossas débeis mãos.
Tão frágeis, tão perdidos,
Vivemos em gemidos,
Mas em Ti nada é vão;
Contempla os desvalidos,
Ampara os excluídos
Do odioso sistema, da opressão.
Dos que não temem Teu Nome,
Nome acima de todos os nomes.
Defensor dos aflitos, dos mendigos,
Ouve Senhor o frêmito gemido,
Dos que clamam por justiça.
Abandonados rebentos,
Que não vislumbram mais luz.
Dolorosamente pregados,
Continuam Vossa Cruz.
Dos que na angústia infinita.
Vêm-se na grande desdita,
De não terem o seu pão.
De porta em porta clamando,
Trabalho em vão mendigando,
Saídas não acham mais.
Dos que presos ao leito implacável,
Não podem mais nem clamar,
E da bebida rascante
Do sofrimento infamante
Sorvem a taça de fel.
Da morte que espreita a vida,
Vergastados por feridas.
Por resposta o próprio eco,
de lancinantes clamores que não se fazem ouvir.
Piedade, oh Mestre Divino,
Dos que crêem que o seu destino
É desfrutar prazeres loucos,
De drogas alucinantes,
Abismos de dor carregam, em toneladas de fel,
Aos pais que desfalecidos,
Jazem na dor da impotência cruel.
Dos que a ilusão das riquezas,
Amorteceu os sentidos.
Que do mundo se acham donos.
Desprecatam-se da lida,
Esquecem-se da fadiga,
Oprimem o sofredor.
E na poluta existência,
Cultivam prazeres tredos.
Dos que morrem sem morrer.
Inconscientes, insanos,
Desesperados tiranos,
Só no corpo a esperança.
E quando este é tirado,
Continuam apegados
A frivolidades mil.
Senhor, acode aos que sofrem.
Pois és a Porta, a saída.
Esperança em nossas vidas,
Nossa paz, nossa guarida.
José Luiz 2003
RABONI

Na tempestade em que perdida a vida
Quase naufraga neste bravo mar.
Ao longe avisto uma figura esguia,
Que se aproxima sempre mais e mais.
E vagamente vou reconhecendo,
Meu lindo Mestre de expressão gentil;
O mesmo Mestre que na Galiléia
Há dois mil anos me salvou no estio.
Como os discípulos em alto mar;
Há tanto tempo aflitos o buscavam
E o encontraram tão sereno e meigo,
A dormitar, sem medo ressonava.
E como dantes meu amado Mestre;
Tão meigo e manso pode me acalmar;
Quando pergunta onde está a fé;
Que de meu peito devia brotar.
Choro convulso invade o meu ser
Este meu ser tão pequeno e vil.
Ajoelhando-me eu Lhe abraço os pés
E já não ouço a turba enfurecida;
Que cruelmente quer tirar-me a vida
Pois minha vida ninguém tirará.
Pois já selada com meu Mestre está.
Comprada a sangue por meu bom Jesus.
Ele levanta o meu ser em trapos.
Serenamente me acaricia
A paz que sinto agora é infinita
Na luz suprema desse Ser perfeito.
Oh, meigo Mestre que na Galiléia,
Em lindas tardes eu ouvia atento
Meigo Raboni e ao mesmo tempo amigo,
Mestre dos mestres, sempre irei contigo.
JOSÉ LUIZ - 2008
quarta-feira, 23 de julho de 2008
RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA

Do cheiro novo dos meus cadernos de menino,
no primeiro dia de aula.
Dos fins de semana matreiros
no pequeno sítio de meu tio.
Das tantas horas passadas debaixo das árvores
de nosso pomar altivo, de dúlcidos frutos.
De nossas galinhas com seus pintainhos saltitantes.
Do aroma suave das tardes primaveris,
pintadas de azul celeste.
Do pequeno riacho onde caçava libélulas agrestes.
Do carinho de minhas mestras e mestres. Onde estarão?
Do aroma delicioso do café da vovó,
temperado com o sol das tardes.
Do ombro aconchegante de minha pobre mãe.
Seu humilde coração a palpitar em meu ouvido.
Das molecagens que a faziam sorrir.
Das manhãs luzentes, despreocupadamente passeadas
ao colo de meu pai, com meu irmão mais velho a me fazer chacrinha.
Das gargalhadas que surgiam espontâneas de minha pequena alma.
Das historinhas que entravam de mãos dadas
com o soninho amigo que ia chegando mansinho.
Dos passeios com o vovô em seu bonde de ilusões azuis.
Das visitas de tios caminheiros que chegavam na brisa da madrugada.
Das brincadeiras inocentes nas noites de verão,
Meninas vadias, galhardas.
Das festas mágicas de São João
Das fogueiras e dos balões.
Da inocência dos tempos que não voltam mais
Tão presentes nas mentes sensíveis,
tempestuosamente levadas são aos turbilhões da vida.
Tão imortais são elas, e tão felizes!
São navios que somem no horizonte para não mais voltar.
Levam porções de nossa alma,
Levam aqueles que, mesmo presentes,
não mais vislumbram meus olhos carnais,
marejados pelas mesmas águas que levam meus navios.
José Luiz
26/02/2004
terça-feira, 22 de julho de 2008
O GRITO

que o homem moderno cria,
a natureza plangente
não encontra mais guarida.
Mãe Terra angustiada
como mulher em feridas,
de desprezo cravejada,
sem lamentar as desditas.
E seus filhos a agridem
sem piedade ou escrúpulos,
selvagens, impenitentes,
selvagens buscando lucros
Mas um dia a Grande Mãe,
há de perder paciência
e num grito lancinante,
mudar-se-á em deserto.
Não bastará mais ciência.
José Luiz 2003
RODA VIVA

A cada despertar, um novo caminhar.
A cada caminhar, amar cada vez mais.
E quanto mais amar,
em fonte inesgotável mergulhar.
A fonte da eterna juventude,
A fonte que desfaz as dores rudes.
A cada novo sol recomeçar,
doando-se em todos os momentos,
aliviando a força dos tormentos,
daqueles que não têm nem voz nem vez.
Amando a cada pétala de rosa.
Sugando a seiva viva do viver!
Gozando a cada novo conhecer.
Sentindo-me engrenagem viva em festa,
que faz girar a imensa roda viva,
dos homens, da esperança, do trabalho.
Que gira apesar dos desatinos.
Que embala o sono doce dos meninos.
Que acalenta os ledos sonhos das meninas.
Que um dia, doce, pura e cristalina,
caminhará pra Deus em alegria.
José Luiz 2003
segunda-feira, 21 de julho de 2008
JESUS

Que cura tantas feridas.
Para a tristeza és a cura,
De nossas fanadas vidas.
Na Passagem és a porta,
Que nos conduz ao fulgor.
Guiando estas débeis almas,
Amando com ledo amor.
Mergulhados em Ti estamos,
Tamanha a Tua Grandeza.
Da vida loucos buscamos,
O encanto, a singeleza.
Novos homens em Ti somos,
Nesta paz do imenso Amor.
Nossa cruz bem carregamos,
Suportando o Mal e a dor.
E o bom discípulo espera,
O grande dia da paz.
Pois virá a primavera.
Não mais o inverno, não mais!
José Luiz 2003
sexta-feira, 18 de julho de 2008
QUESTÃO AMBIENTAL
- O que podemos realizar de efetivo em nosso cotidiano para conservar o ambiente em que vivemos, levando em consideração: a sociedade de consumo, reciclagem e formas de organização da sociedade civil.
- De que maneira a preservação do meio ambiente ou sua destruição podem influir no empobrecimento ainda maior dos desprivilegiados?
- Como você vê a questão do meio ambiente em nosso município: Jaú?
TODO
Nosso próprio sangue corre.
A ela plugados sugamos,
A seiva que nos dá vida
A nos integrar num mesmo todo.
Num mesmo círculo.
Que não se pode comprar,
Por nenhuma moeda vil.
E quando a luta termina,
É nossa Mãe amorosa,
Que nos sussurra ao ouvido,
Lindas canções de ninar.
Acariciando as madeixas,
Silenciando nossas queixas
E as mágoas do passado
E ela encerra também
Os nossos antepassados
Aos quais nos vamos juntar.
E a vida palpita errante,
Sem ares de arrogante
Na floresta olorosa,
Nas ondas do mar garbosas
Nas correntes caudalosas,
Nos pássaros airosos,
Nos gritos tão dolorosos
De uma centenária árvore,
Que queda estrepitosa.
Nos montes eternos,
Nos carinhos ternos,
De uma mãe sem-par.
José Luiz 2003
COMENTÁRIOS SOBRE O POEMA "AMÉRICA DE SANGUE"
quinta-feira, 17 de julho de 2008
A ESTRADA
A estrada é longa; interminável.
Passantes se cruzam indiferentes,
E na torrente infinita,
Se fundem ódio, dor, amor...
Ardor da paixão em que me enlaças.
Não posso mais viver sem teu olhar.
E no final da longa caminhada,
Espero a pureza de tu’alma contemplar.
Juntos na eternidade de ventura,
Nos verdes campos de flores tão belas,
Corrermos sem fadigas ou temores,
Cheios dos amores que não terão mais fim.
Amores da alma eterna, perfeitos,
Sem manchas ou delitos.
Almas que se encontram sem temores,
Pelos prados e bosques infinitos.
Mas a estrada longa parece interminável,
Com suas venturas e terrores,
Borboletas multicores,
Pássaros, andores, funerais...
A vida a palpitar,
Na sua ilusão fecunda,
Do ser ou não ser,
Do viver e morrer,
Sob a pressão do destino,
Ora o sol causticante,
Ora a chuva escaldante.
Com meus passos temerosos, vacilantes.
Com conceitos imprecisos de humanos conheceres.
À margem da vida vivendo, sem conhecer o viver.
E tanto suor brotando da pele embrutecida, pela lida.
Grito em silêncio na amplidão do estio, vazio...sombrio...
Mas, nem tudo são dores.
E a vida palpita, linda e indiferente,
Com seu manto de mistérios.
Contemplo os seres etéreos que desta vida partiram,
Questiono da vida a esperança e,
Como criança, as lágrimas abundantes,
vertem num longo pesar.
Mas tu, amiga e companheira,
De minha vida a esteira,
Ao meu lado sempre estás.
E assim o deserto se torna oásis airoso.
E a claridade cerúlea envolve nossos destinos
Desfazendo desatinos, a profligar os temores;
Acalmando tantas dores que vertem do peito meu.
E um dia em vestes ebúrneas,
Alçaremos pro infinito,
Rumo aos portos tão benditos,
Que nos esperam no além.
AMÉRICA DE SANGUE
Sequiosos por ouro,
Sequiosos por almas.
Aqui aportaram.
Acalentando ilusões.
Mas o mel tornou-se acerbo.
Acerbo para as almas nativas.
Nativos traspassados pelo gládio,
Devorados pelos cães,
Decepados,
Massacrados,
Humilhados.
Rios de sangue nas Américas garbosas.
Rios de sangue misturados.
Rios de sangue nos formaram.
Ultraje infamante e bizarro,
Abençoados por Cortez e por Pizarro,
Pela cruz, pelo papa, pelas coroas,
Sedentas de ouro,
Sedentas de almas.
Sedentas de sangue,
Sedentas de vidas.
Gritos horrendos que ainda ouvimos,
Dos mártires sem altares,
Vergastados por ferros candentes,
Sentados sobre braseiros,
Urrando por toda a noite,
A divertir seus algozes,
En nome de la cruz,
En nome del papa,
En nome del rey.
Mães paralisadas, aterradas,
Desesperadas.
Gritando a dor lancinante,
Vendo os frutos de seus ventres
Partidos ao meio,
Pelo fio da espada.
Paladinos de escuras vestes
Abençoando as chacinas,
En nome de la cruz,
En nome del papa,
En nome del rey,
En nome de la Santa Madre,
En nome del Roma,
Em nome del Padre.
Aos agonizantes, o céu cristão apontavam.
Mas estes não queriam céu,
Queriam a ordem em que dantes’tavam.
Doentes contaminados
Doentes angustiados.
Agitavam-se no tremedal que do mar chegava.
Chagados,
Curvados,
Vergastados,
Excruciados.
Vetustos martirizados.
Mulheres que na desgraça, violentadas,
Não tinham mais expressão.
Quanto mais clamavam clemência,
Mais mergulhavam na escuridão.
Assim formava-se o povo.
Assim fincava-se a cruz.
Templos erguidos sobre ruínas.
Civilizações soterradas.
Bárbaro genocídeo,
Nativos silenciados,
Culturas aniquiladas,
En nome de la cruz,
En nome del papa
En nome del rey,
En nome de la Santa Madre,
En nome del Padre.
Nativos aniquilados,
Ainda hoje apenados,
Pela fome,
Pelo frio,
Pela falta de esperança,
Pelo choro das crianças,
Pela dignidade que não chega,
Pelo emprego que não há,
Pela paz que não se encontra,
Pelo fel e pelo sangue,
Pela cruz e pelo lanho,
Pelo domínio do estranho.
José Luiz
12/04/2004.
ANOITECE
No horizonte as luzes vão descendo.
E é nesta hora que a saudade infinda,
Faz-se mais forte e o coração se aperta.
E o mundo louco não percebe nada.
Assim distante do ideal do amor
Tantas belezas deste lindo orbe
Na indiferença estão desconsoladas.
E mais um dia dorme em nossas vidas
É mais um dia que esquecido vai.
A noite chega como moça airosa.
Nos convidando a descansar das lidas.
E aos nossos olhos vêm as luzes pálidas,
A iluminar, timidamente estão.
E assim conseguem enganar as trevas
A produzir mil ilusões, desvãos.
INTRODUÇÃO
Sou o mais novo usuário deste prático recurso virtual: o blog.
Meu nome é José Luiz da Silva. Sou professor na rede estadual e municipal (Jaú) e estou muito feliz por poder, de maneira tão inovadora e eficaz, comunicar a quantos se interessem por reflexões sobre a vida, a morte, a educação e à cidadania.
Escrevo poemas que abarcam os mais diversos temas reflexivos. Conto com os comentários de quantos tiverem acesso a esta humilde página que tem por objetivo incentivar a reflexão sobre temas por vezes profundos, por vezes relativos ao dia-a-dia.
Espero que gostem! Obrigado.



