A estrada é longa; interminável.
Passantes se cruzam indiferentes,
E na torrente infinita,
Se fundem ódio, dor, amor...
Ardor da paixão em que me enlaças.
Não posso mais viver sem teu olhar.
E no final da longa caminhada,
Espero a pureza de tu’alma contemplar.
Juntos na eternidade de ventura,
Nos verdes campos de flores tão belas,
Corrermos sem fadigas ou temores,
Cheios dos amores que não terão mais fim.
Amores da alma eterna, perfeitos,
Sem manchas ou delitos.
Almas que se encontram sem temores,
Pelos prados e bosques infinitos.
Mas a estrada longa parece interminável,
Com suas venturas e terrores,
Borboletas multicores,
Pássaros, andores, funerais...
A vida a palpitar,
Na sua ilusão fecunda,
Do ser ou não ser,
Do viver e morrer,
Sob a pressão do destino,
Ora o sol causticante,
Ora a chuva escaldante.
Com meus passos temerosos, vacilantes.
Com conceitos imprecisos de humanos conheceres.
À margem da vida vivendo, sem conhecer o viver.
E tanto suor brotando da pele embrutecida, pela lida.
Grito em silêncio na amplidão do estio, vazio...sombrio...
Mas, nem tudo são dores.
E a vida palpita, linda e indiferente,
Com seu manto de mistérios.
Contemplo os seres etéreos que desta vida partiram,
Questiono da vida a esperança e,
Como criança, as lágrimas abundantes,
vertem num longo pesar.
Mas tu, amiga e companheira,
De minha vida a esteira,
Ao meu lado sempre estás.
E assim o deserto se torna oásis airoso.
E a claridade cerúlea envolve nossos destinos
Desfazendo desatinos, a profligar os temores;
Acalmando tantas dores que vertem do peito meu.
E um dia em vestes ebúrneas,
Alçaremos pro infinito,
Rumo aos portos tão benditos,
Que nos esperam no além.

Nenhum comentário:
Postar um comentário