Por vezes nos esquecemos que, além de brasileiros, integramos um contexto mais amplo, a saber, a América Latina, com seus problemas de subdesenvolvimento, aliás, subdesenvolvimento que com ela compartilhamos.
Muitas pessoas, desconhecem a nossa História e, talvez, devido a isto, alimentam visões preconceituosas sobre as razões de nossos problemas sociais, econômicos e políticos. Tanto no passado quanto atualmente, a idéia de a preguiça e a incompetência de nossos povos nativos é que resultaram no país que somos hoje. Outro absurdo preconceituoso é o de que a mistura de raças é a causa de nossos problemas!
Antes de tudo, faz-se necessário atinar para o fato de que a América no século XV era composta por povos praticantes dos mais diversos tipos de organização socioeconômica, desde povos caçadores e coletores até sociedades extremamente organizadas em impérios e confederações avançadas, como é o caso das civilizações que os europeus aqui encontraram e conquistaram à força da espada, do massacre, da violência, enfim.
Sobre as cinzas das civilizações americanas, instalou-se então o sistema colonial íbero-americano, que assumiu a face de colonização de exploração, ou seja, colônias submetidas à metrópole política, social e economicamente.
O branco europeu, no encontro com o "outro", sentindo-se superior, embora em muitos casos comparassem as civilizações submetidas, com a civilização européia; o objetivo era o extermínio das antigas organizações nativas.
Assim, os que não dependiam nem almenos conheciam a existência do branco europeu passaram a depender à força da espada e da religião imposta como única verdadeira, a saber, o catolicismo, que perdendo adeptos com a Reforma Protestante, almejava arrebanhar os nativos para as fileiras da Igreja.
Assim, os povos americanos foram silenciados, ou seja, tiveram de ocultar sua cultura e organização sob as cinzas da destruição violenta.
O poema "América de Sangue" busca incitar à reflexão sobre a origem violenta de nossa constituição como parte integrante da civilização ocidental.
Tanto a América, quanto a África e a Ásia foram "sangradas"pelos europeus até os últimos recursos. A dependência obrigatório do comércio colonial com as metrópoles, no decorrer da História, apenas foi mundando os seus atores, mas "a novela continuou a mesma"!
O caso do Brasil é suficiente para esclarecer esta afirmação. A independência política não foi9 seguida da independência econômica. continuamos a exportar matéria-prima barata e a importar produtos manufaturados bem mais caros, com dependência principalmente da Inglaterra. Proclamamos a República e a situação continuou inalterada até a Primeira Guerra Mundial, quando a Europa exausta, cede lugar ao domínio norte-americano. Nos anos que se seguiram à Segunda Guerrra Mundial, a exploração toma nova aparência através da instalação das multinacionais, com exploração de mão-de-obra barata e grandes remessas de lucros para o exterior. Hoje, as empresas e capitais transnacionais, em concorrência selvagem entre si, dominam o cenário.
Apesar do quadro aparentemente desolador, há luz no fim do túnel sim. A organização das comunidades criando sistemas baseados em componentes locais é a forma de resistir à selvageria da chamada globalização. GLOBALIZAÇÃO, PARA QUEM?

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