quarta-feira, 23 de julho de 2008

RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA


Quanta saudade!
Do cheiro novo dos meus cadernos de menino,
no primeiro dia de aula.
Dos fins de semana matreiros
no pequeno sítio de meu tio.
Das tantas horas passadas debaixo das árvores
de nosso pomar altivo, de dúlcidos frutos.
De nossas galinhas com seus pintainhos saltitantes.
Do aroma suave das tardes primaveris,
pintadas de azul celeste.
Do pequeno riacho onde caçava libélulas agrestes.
Do carinho de minhas mestras e mestres. Onde estarão?
Do aroma delicioso do café da vovó,
temperado com o sol das tardes.
Do ombro aconchegante de minha pobre mãe.
Seu humilde coração a palpitar em meu ouvido.
Das molecagens que a faziam sorrir.
Das manhãs luzentes, despreocupadamente passeadas
ao colo de meu pai, com meu irmão mais velho a me fazer chacrinha.
Das gargalhadas que surgiam espontâneas de minha pequena alma.
Das historinhas que entravam de mãos dadas
com o soninho amigo que ia chegando mansinho.
Dos passeios com o vovô em seu bonde de ilusões azuis.
Das visitas de tios caminheiros que chegavam na brisa da madrugada.
Das brincadeiras inocentes nas noites de verão,
Meninas vadias, galhardas.
Das festas mágicas de São João
Das fogueiras e dos balões.
Da inocência dos tempos que não voltam mais
Tão presentes nas mentes sensíveis,
tempestuosamente levadas são aos turbilhões da vida.
Tão imortais são elas, e tão felizes!
São navios que somem no horizonte para não mais voltar.
Levam porções de nossa alma,
Levam aqueles que, mesmo presentes,
não mais vislumbram meus olhos carnais,
marejados pelas mesmas águas que levam meus navios.

José Luiz
26/02/2004

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