quarta-feira, 30 de julho de 2008

PENSAMENTOS

“Longa e triste é a noite, mas logo chega o alvorecer, trazendo em si as alegrias puras”.

“Senhor, faze-me a cada dia trilhar os Vossos santos caminhos”.

“A esperança não pode morrer jamais, pois a vida faz parte de uma história sem fim”.

“Bendito o dia em que o grande sono, como brisa suave, adormecer-me a alma com suas asas de liberdade”.

“Criar é o que nos faz divinos”.

“Passa a aparência assim como murcham as flores, mas a essência permanece eternamente.”

“Espinhosa é a estrada que conduz ao bom destino”.

“Morte: carta de alforria; vida: prisão educativa”.

“O amor dos amantes é caricatura do verdadeiro Amor.”

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O CEGO


Sou cego.
Há muito que a luz fugiu de meus olhos.
Vivo de quirelas atiradas ao vento,
Sem palavra de fé ou avivamento.
Tirando da escória o meu alimento.
Sentado a sofrer em frente ao Templo.

Em vão eu recordo o passado feliz,
Com esposa e filhos em ninho de amor
Porém quando a luz fugiu de meus olhos;
A mulher deixou-me a chorar de dor.
Sem piedade disse: “Tu não vales nada”;
Procurar eu vou uma nova estrada.”

Quis suicidar-me, quase enlouqueci.
Por dias e dias eu fiquei ali.
Mas como a desgraça nunca chega só,
Os cruéis algozes desta vida vil
Sem dó me expulsaram do infeliz covil.

Saí pelas ruas sem destino algum
Talvez por piedade alguém me matasse,
Mas a indiferença, que fere qual espada;
Foi o que obtive nesta minha estrada.

A porta do Templo tornou-se meu ninho
Com alguma esmola sei que sobrevivo.
Na linda esperança já não tenho abrigo.
Só espero a morte que já sinto vindo.

Mas um dia ouço em meio à escuridão,
Todos comentando sobre certo homem;
Que a todos curava tão bondosamente!
Com o tocar das mãos ou com simples ordem
Dera vista a cegos,
Curara leprosos,
E que até mortos já ressucitara!

Tentei inquirir dos que estavam perto
Quem era este homem de grande poder
E cego que sou, então percebi.
Que me eram surdos os que estavam ali.

Mas bondosa alma veio a me explicar
Que o tal homem bom era o Nazareno;
Que a todos curava e estava a caminho
Grande e meiga alma dos pobres benquista.,
Única esperança de suas magras vidas
Única luz rútila que ao Pai conduzia.

No final das trevas desta longa estrada
Com olhos da alma avistei a luz.
Senti a multidão que o seguia impávida
Louco de esperança clamei: “Oh, Jesus!
“Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”
Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”

Já passara o homem com a multidão,
Muitos a ralhar: ”Deixa em paz o Mestre!”
Mas sei que cheguei ao Seu coração.
E a misericórdia me estendia a mão.
Então se aproximou uma voz infantil
Pelo braço pegou-me a dizer veloz:
“O Mestre te chama, velho Bartimeu!”
Depressa! Depressa!”E assim fomos nós.

Oh que alegria! Que contentamento!
Eu queria a vida, e a Vida me veio.
A correr entrei em sua presença
Sua meiga voz ouvi sem detença:
“Filho, o que queres que eu te faça?”
Era a minha hora, era a minha vez!
Oh Deus, nunca esqueces de um filho Teu:
“Que eu volte a ver”, então disse eu.

Sua amável destra tocou os meus olhos
E não tive dúvida, a noite acabara.
O dia raiava mais e ainda mais
Depois tudo claro, o mundo voltava!


Em minha frente o doce rabi
Sorria contente ao me ver feliz
Bondosa carícia fez em meus cabelos
E eu maravilhado abracei seus joelhos.
Nunca esquecerei, milhões de vidas passem
Do dia feliz, da libertação.
Quis seguí-lo então, onde quer que fosse
Mas ele me disse:
“Testemunha a outros tua redenção”.

Muito ainda falta prá com Ele estar.
Mas sempre haverei de testemunhar
Que Jesus é vida, Ele me salvou!
Que Jesus é luz que me iluminou!




José Luiz 2008






ORAÇÃO PELOS SOFREDORES



Senhor de Nazaré,
Nossa luz suprema, Senhor de nossa fé.
Contempla nossas dores, angústias, dissabores.
Ampara nossas débeis mãos.
Tão frágeis, tão perdidos,
Vivemos em gemidos,
Mas em Ti nada é vão;
Contempla os desvalidos,
Ampara os excluídos
Do odioso sistema, da opressão.
Dos que não temem Teu Nome,
Nome acima de todos os nomes.
Defensor dos aflitos, dos mendigos,
Ouve Senhor o frêmito gemido,
Dos que clamam por justiça.
Abandonados rebentos,
Que não vislumbram mais luz.
Dolorosamente pregados,
Continuam Vossa Cruz.
Dos que na angústia infinita.
Vêm-se na grande desdita,
De não terem o seu pão.
De porta em porta clamando,
Trabalho em vão mendigando,
Saídas não acham mais.
Dos que presos ao leito implacável,
Não podem mais nem clamar,
E da bebida rascante
Do sofrimento infamante
Sorvem a taça de fel.
Da morte que espreita a vida,
Vergastados por feridas.
Por resposta o próprio eco,
de lancinantes clamores que não se fazem ouvir.
Piedade, oh Mestre Divino,
Dos que crêem que o seu destino
É desfrutar prazeres loucos,
De drogas alucinantes,
Abismos de dor carregam, em toneladas de fel,
Aos pais que desfalecidos,
Jazem na dor da impotência cruel.
Dos que a ilusão das riquezas,
Amorteceu os sentidos.
Que do mundo se acham donos.
Desprecatam-se da lida,
Esquecem-se da fadiga,
Oprimem o sofredor.
E na poluta existência,
Cultivam prazeres tredos.
Dos que morrem sem morrer.
Inconscientes, insanos,
Desesperados tiranos,
Só no corpo a esperança.
E quando este é tirado,
Continuam apegados
A frivolidades mil.
Senhor, acode aos que sofrem.
Pois és a Porta, a saída.
Esperança em nossas vidas,
Nossa paz, nossa guarida.


José Luiz 2003

RABONI


Na tempestade em que perdida a vida
Quase naufraga neste bravo mar.
Ao longe avisto uma figura esguia,
Que se aproxima sempre mais e mais.
E vagamente vou reconhecendo,
Meu lindo Mestre de expressão gentil;
O mesmo Mestre que na Galiléia
Há dois mil anos me salvou no estio.

Como os discípulos em alto mar;
Há tanto tempo aflitos o buscavam
E o encontraram tão sereno e meigo,
A dormitar, sem medo ressonava.
E como dantes meu amado Mestre;
Tão meigo e manso pode me acalmar;
Quando pergunta onde está a fé;
Que de meu peito devia brotar.

Choro convulso invade o meu ser
Este meu ser tão pequeno e vil.
Ajoelhando-me eu Lhe abraço os pés
E já não ouço a turba enfurecida;
Que cruelmente quer tirar-me a vida
Pois minha vida ninguém tirará.
Pois já selada com meu Mestre está.
Comprada a sangue por meu bom Jesus.

Ele levanta o meu ser em trapos.
Serenamente me acaricia
A paz que sinto agora é infinita
Na luz suprema desse Ser perfeito.
Oh, meigo Mestre que na Galiléia,
Em lindas tardes eu ouvia atento
Meigo Raboni e ao mesmo tempo amigo,
Mestre dos mestres, sempre irei contigo.


JOSÉ LUIZ - 2008


quarta-feira, 23 de julho de 2008

RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA


Quanta saudade!
Do cheiro novo dos meus cadernos de menino,
no primeiro dia de aula.
Dos fins de semana matreiros
no pequeno sítio de meu tio.
Das tantas horas passadas debaixo das árvores
de nosso pomar altivo, de dúlcidos frutos.
De nossas galinhas com seus pintainhos saltitantes.
Do aroma suave das tardes primaveris,
pintadas de azul celeste.
Do pequeno riacho onde caçava libélulas agrestes.
Do carinho de minhas mestras e mestres. Onde estarão?
Do aroma delicioso do café da vovó,
temperado com o sol das tardes.
Do ombro aconchegante de minha pobre mãe.
Seu humilde coração a palpitar em meu ouvido.
Das molecagens que a faziam sorrir.
Das manhãs luzentes, despreocupadamente passeadas
ao colo de meu pai, com meu irmão mais velho a me fazer chacrinha.
Das gargalhadas que surgiam espontâneas de minha pequena alma.
Das historinhas que entravam de mãos dadas
com o soninho amigo que ia chegando mansinho.
Dos passeios com o vovô em seu bonde de ilusões azuis.
Das visitas de tios caminheiros que chegavam na brisa da madrugada.
Das brincadeiras inocentes nas noites de verão,
Meninas vadias, galhardas.
Das festas mágicas de São João
Das fogueiras e dos balões.
Da inocência dos tempos que não voltam mais
Tão presentes nas mentes sensíveis,
tempestuosamente levadas são aos turbilhões da vida.
Tão imortais são elas, e tão felizes!
São navios que somem no horizonte para não mais voltar.
Levam porções de nossa alma,
Levam aqueles que, mesmo presentes,
não mais vislumbram meus olhos carnais,
marejados pelas mesmas águas que levam meus navios.

José Luiz
26/02/2004

terça-feira, 22 de julho de 2008

O GRITO


Nesta fremente corrida
que o homem moderno cria,
a natureza plangente
não encontra mais guarida.

Mãe Terra angustiada
como mulher em feridas,
de desprezo cravejada,
sem lamentar as desditas.

E seus filhos a agridem
sem piedade ou escrúpulos,
selvagens, impenitentes,
selvagens buscando lucros

Mas um dia a Grande Mãe,
há de perder paciência
e num grito lancinante,
mudar-se-á em deserto.
Não bastará mais ciência.

José Luiz 2003

RODA VIVA


Incansável aventura do viver!
A cada despertar, um novo caminhar.
A cada caminhar, amar cada vez mais.
E quanto mais amar,
em fonte inesgotável mergulhar.
A fonte da eterna juventude,
A fonte que desfaz as dores rudes.
A cada novo sol recomeçar,
doando-se em todos os momentos,
aliviando a força dos tormentos,
daqueles que não têm nem voz nem vez.
Amando a cada pétala de rosa.
Sugando a seiva viva do viver!
Gozando a cada novo conhecer.
Sentindo-me engrenagem viva em festa,
que faz girar a imensa roda viva,
dos homens, da esperança, do trabalho.
Que gira apesar dos desatinos.
Que embala o sono doce dos meninos.
Que acalenta os ledos sonhos das meninas.
Que um dia, doce, pura e cristalina,
caminhará pra Deus em alegria.



José Luiz 2003

segunda-feira, 21 de julho de 2008

JESUS


Das dores és o remédio,
Que cura tantas feridas.
Para a tristeza és a cura,
De nossas fanadas vidas.


Na Passagem és a porta,
Que nos conduz ao fulgor.
Guiando estas débeis almas,
Amando com ledo amor.


Mergulhados em Ti estamos,
Tamanha a Tua Grandeza.
Da vida loucos buscamos,
O encanto, a singeleza.


Novos homens em Ti somos,
Nesta paz do imenso Amor.
Nossa cruz bem carregamos,
Suportando o Mal e a dor.


E o bom discípulo espera,
O grande dia da paz.
Pois virá a primavera.
Não mais o inverno, não mais!


José Luiz 2003



sexta-feira, 18 de julho de 2008

QUESTÃO AMBIENTAL

Convido os leitores a refletirem e escreverem comentários sobre as seguintes questões:
  1. O que podemos realizar de efetivo em nosso cotidiano para conservar o ambiente em que vivemos, levando em consideração: a sociedade de consumo, reciclagem e formas de organização da sociedade civil.
  2. De que maneira a preservação do meio ambiente ou sua destruição podem influir no empobrecimento ainda maior dos desprivilegiados?
  3. Como você vê a questão do meio ambiente em nosso município: Jaú?

TODO


Nas veias de nossa Mãe,
Nosso próprio sangue corre.
A ela plugados sugamos,
A seiva que nos dá vida
A nos integrar num mesmo todo.
Num mesmo círculo.
Que não se pode comprar,
Por nenhuma moeda vil.
E quando a luta termina,
É nossa Mãe amorosa,
Que nos sussurra ao ouvido,
Lindas canções de ninar.
Acariciando as madeixas,
Silenciando nossas queixas
E as mágoas do passado
E ela encerra também
Os nossos antepassados
Aos quais nos vamos juntar.
E a vida palpita errante,
Sem ares de arrogante
Na floresta olorosa,
Nas ondas do mar garbosas
Nas correntes caudalosas,
Nos pássaros airosos,
Nos gritos tão dolorosos
De uma centenária árvore,
Que queda estrepitosa.
Nos montes eternos,
Nos carinhos ternos,
De uma mãe sem-par.

José Luiz 2003

COMENTÁRIOS SOBRE O POEMA "AMÉRICA DE SANGUE"

Por vezes nos esquecemos que, além de brasileiros, integramos um contexto mais amplo, a saber, a América Latina, com seus problemas de subdesenvolvimento, aliás, subdesenvolvimento que com ela compartilhamos.
Muitas pessoas, desconhecem a nossa História e, talvez, devido a isto, alimentam visões preconceituosas sobre as razões de nossos problemas sociais, econômicos e políticos. Tanto no passado quanto atualmente, a idéia de a preguiça e a incompetência de nossos povos nativos é que resultaram no país que somos hoje. Outro absurdo preconceituoso é o de que a mistura de raças é a causa de nossos problemas!
Antes de tudo, faz-se necessário atinar para o fato de que a América no século XV era composta por povos praticantes dos mais diversos tipos de organização socioeconômica, desde povos caçadores e coletores até sociedades extremamente organizadas em impérios e confederações avançadas, como é o caso das civilizações que os europeus aqui encontraram e conquistaram à força da espada, do massacre, da violência, enfim.
Sobre as cinzas das civilizações americanas, instalou-se então o sistema colonial íbero-americano, que assumiu a face de colonização de exploração, ou seja, colônias submetidas à metrópole política, social e economicamente.
O branco europeu, no encontro com o "outro", sentindo-se superior, embora em muitos casos comparassem as civilizações submetidas, com a civilização européia; o objetivo era o extermínio das antigas organizações nativas.
Assim, os que não dependiam nem almenos conheciam a existência do branco europeu passaram a depender à força da espada e da religião imposta como única verdadeira, a saber, o catolicismo, que perdendo adeptos com a Reforma Protestante, almejava arrebanhar os nativos para as fileiras da Igreja.
Assim, os povos americanos foram silenciados, ou seja, tiveram de ocultar sua cultura e organização sob as cinzas da destruição violenta.
O poema "América de Sangue" busca incitar à reflexão sobre a origem violenta de nossa constituição como parte integrante da civilização ocidental.
Tanto a América, quanto a África e a Ásia foram "sangradas"pelos europeus até os últimos recursos. A dependência obrigatório do comércio colonial com as metrópoles, no decorrer da História, apenas foi mundando os seus atores, mas "a novela continuou a mesma"!
O caso do Brasil é suficiente para esclarecer esta afirmação. A independência política não foi9 seguida da independência econômica. continuamos a exportar matéria-prima barata e a importar produtos manufaturados bem mais caros, com dependência principalmente da Inglaterra. Proclamamos a República e a situação continuou inalterada até a Primeira Guerra Mundial, quando a Europa exausta, cede lugar ao domínio norte-americano. Nos anos que se seguiram à Segunda Guerrra Mundial, a exploração toma nova aparência através da instalação das multinacionais, com exploração de mão-de-obra barata e grandes remessas de lucros para o exterior. Hoje, as empresas e capitais transnacionais, em concorrência selvagem entre si, dominam o cenário.
Apesar do quadro aparentemente desolador, há luz no fim do túnel sim. A organização das comunidades criando sistemas baseados em componentes locais é a forma de resistir à selvageria da chamada globalização. GLOBALIZAÇÃO, PARA QUEM?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A ESTRADA


A estrada é longa; interminável.
Passantes se cruzam indiferentes,
E na torrente infinita,
Se fundem ódio, dor, amor...
Ardor da paixão em que me enlaças.
Não posso mais viver sem teu olhar.
E no final da longa caminhada,
Espero a pureza de tu’alma contemplar.
Juntos na eternidade de ventura,
Nos verdes campos de flores tão belas,
Corrermos sem fadigas ou temores,
Cheios dos amores que não terão mais fim.
Amores da alma eterna, perfeitos,
Sem manchas ou delitos.
Almas que se encontram sem temores,
Pelos prados e bosques infinitos.


Mas a estrada longa parece interminável,
Com suas venturas e terrores,
Borboletas multicores,
Pássaros, andores, funerais...
A vida a palpitar,
Na sua ilusão fecunda,
Do ser ou não ser,
Do viver e morrer,
Sob a pressão do destino,
Ora o sol causticante,
Ora a chuva escaldante.
Com meus passos temerosos, vacilantes.
Com conceitos imprecisos de humanos conheceres.
À margem da vida vivendo, sem conhecer o viver.
E tanto suor brotando da pele embrutecida, pela lida.
Grito em silêncio na amplidão do estio, vazio...sombrio...
Mas, nem tudo são dores.
E a vida palpita, linda e indiferente,
Com seu manto de mistérios.
Contemplo os seres etéreos que desta vida partiram,
Questiono da vida a esperança e,
Como criança, as lágrimas abundantes,
vertem num longo pesar.
Mas tu, amiga e companheira,
De minha vida a esteira,
Ao meu lado sempre estás.
E assim o deserto se torna oásis airoso.
E a claridade cerúlea envolve nossos destinos
Desfazendo desatinos, a profligar os temores;
Acalmando tantas dores que vertem do peito meu.
E um dia em vestes ebúrneas,
Alçaremos pro infinito,
Rumo aos portos tão benditos,
Que nos esperam no além.




















AMÉRICA DE SANGUE

Aventureiros sequiosos,
Sequiosos por ouro,
Sequiosos por almas.
Aqui aportaram.
Acalentando ilusões.
Mas o mel tornou-se acerbo.
Acerbo para as almas nativas.
Nativos traspassados pelo gládio,
Devorados pelos cães,
Decepados,
Massacrados,
Humilhados.
Rios de sangue nas Américas garbosas.
Rios de sangue misturados.
Rios de sangue nos formaram.
Ultraje infamante e bizarro,
Abençoados por Cortez e por Pizarro,
Pela cruz, pelo papa, pelas coroas,
Sedentas de ouro,
Sedentas de almas.
Sedentas de sangue,
Sedentas de vidas.
Gritos horrendos que ainda ouvimos,
Dos mártires sem altares,
Vergastados por ferros candentes,
Sentados sobre braseiros,
Urrando por toda a noite,
A divertir seus algozes,
En nome de la cruz,
En nome del papa,
En nome del rey.
Mães paralisadas, aterradas,
Desesperadas.
Gritando a dor lancinante,
Vendo os frutos de seus ventres
Partidos ao meio,
Pelo fio da espada.
Paladinos de escuras vestes
Abençoando as chacinas,
En nome de la cruz,
En nome del papa,
En nome del rey,
En nome de la Santa Madre,
En nome del Roma,
Em nome del Padre.
Aos agonizantes, o céu cristão apontavam.
Mas estes não queriam céu,
Queriam a ordem em que dantes’tavam.
Doentes contaminados
Doentes angustiados.
Agitavam-se no tremedal que do mar chegava.
Chagados,
Curvados,
Vergastados,
Excruciados.
Vetustos martirizados.
Mulheres que na desgraça, violentadas,
Não tinham mais expressão.
Quanto mais clamavam clemência,
Mais mergulhavam na escuridão.
Assim formava-se o povo.
Assim fincava-se a cruz.
Templos erguidos sobre ruínas.
Civilizações soterradas.
Bárbaro genocídeo,
Nativos silenciados,
Culturas aniquiladas,
En nome de la cruz,
En nome del papa
En nome del rey,
En nome de la Santa Madre,
En nome del Padre.
Nativos aniquilados,
Ainda hoje apenados,
Pela fome,
Pelo frio,
Pela falta de esperança,
Pelo choro das crianças,
Pela dignidade que não chega,
Pelo emprego que não há,
Pela paz que não se encontra,
Pelo fel e pelo sangue,
Pela cruz e pelo lanho,
Pelo domínio do estranho.

José Luiz
12/04/2004.

ANOITECE

Cai a tarde em minha janela.
No horizonte as luzes vão descendo.
E é nesta hora que a saudade infinda,
Faz-se mais forte e o coração se aperta.


E o mundo louco não percebe nada.
Assim distante do ideal do amor
Tantas belezas deste lindo orbe
Na indiferença estão desconsoladas.


E mais um dia dorme em nossas vidas
É mais um dia que esquecido vai.
A noite chega como moça airosa.
Nos convidando a descansar das lidas.


E aos nossos olhos vêm as luzes pálidas,
A iluminar, timidamente estão.
E assim conseguem enganar as trevas
A produzir mil ilusões, desvãos.
JOSÉ LUIZ
2003

INTRODUÇÃO

Olá amigos!
Sou o mais novo usuário deste prático recurso virtual: o blog.
Meu nome é José Luiz da Silva. Sou professor na rede estadual e municipal (Jaú) e estou muito feliz por poder, de maneira tão inovadora e eficaz, comunicar a quantos se interessem por reflexões sobre a vida, a morte, a educação e à cidadania.
Escrevo poemas que abarcam os mais diversos temas reflexivos. Conto com os comentários de quantos tiverem acesso a esta humilde página que tem por objetivo incentivar a reflexão sobre temas por vezes profundos, por vezes relativos ao dia-a-dia.
Espero que gostem! Obrigado.