domingo, 14 de setembro de 2008

SÚPLICA NA ANGÚSTIA


Compadece-te de mim, Senhor, Mestre Divino!
Sinto-me repulsivo. Os que me vêm fogem de mim com asco.
Meus olhos não querem mais a luz do sol.
Desejo ardentemente a morte, mas ela também foge de mim.
Sinto-me condenado à vida
Que nada mais é do que morte impiedosa!
Meu crânio é qual caixa rota cheia de tristezas e frustrações.
SOCORRE-ME SENHOR!
As palavras são tão pequenas, tão frágeis e insuficientes.
Todos os meus sonhos se desvaneceram como fumaça que se perde no espaço.
Meus pensamentos são nascentes de rios de lágrimas.
Não há um humano, um filho de homem sequer,
que possa atenuar o sofrimento desta hora.
Oh, Mestre Divino! Meu amigo incomparável!
Só Tu restaste em minha vida!
Ergue-me do lodaçal em que me encontro
e lava-me com o Teu sangue precioso!
Só Tu podes me ajudar!
Faz-me encarar a dor da vida
como ponte bendita sobre águas revoltas:
a ponte que leva à felicidade incomensurável
da sensação do dever cumprido!
Socorre-me Senhor querido!
Provê a minha alma de forças para palmilhar
dignamente, o que resta da espinhosa estrada.


Que assim seja.

José Luiz
03/11/2005

PROTESTO


Não, não vou juntar-me aos sepulcrais festins.
Dos indolentes, dos alienados.
Não me conformo com tanta injustiça.
Com ser humano a mendigar o pão
A revirar nauseabundos restos.
A contemplar o pavoroso incesto,
Dos poderosos com governos vãos.
Que não protegem tantos bons incautos,
que o seu poder puseram-lhe nas mãos
E distraídos seguem suas sinas,
sem atentar ao que é tão visível,
Achando tudo muito natural
A construir as catedrais de areia
Que se desfazem na amplidão do espaço
Pois nada são, mas fazem tanto mal.
Ao desviar-nos da realidade
Ao evitar nossa real catarse
Ao enraizar nossa ilusão, disfarce
Ao distanciar-nos do que é Real.



José Luiz 2003

PAZ NO MAR


Se o terror da vida te desorienta,
Se a desilusão cai sobre o teu mar.
Não te desanime o fogo da tormenta.
Não te intimides; põe-te a navegar!


Com certeza as ondas te sufocarão.
E o desespero no teu coração,
há de ser punhal, que de forma lenta
Quase à perdição te carregará.


Olha para o céu, navegante aflito!
Deus não é aquilo que te ensinaram.
Deus é tudo isto que ao teu lado vibra!
Não te deixará preso na fadiga.


Saiba viajor que aqui estás,
Mas que em breve tempo, tudo passará.
Só a tua alma, que de Deus provém,
Para Ele volta nos portos do Além.


Toma consciência que no Todo estás.
E que a Roda Viva nunca parará.
Esta consciência te trará a paz,
Nos braços do Pai, tu descansarás.

PAI NOSSO LIVRE VERSÃO


Pai Nosso, que estás no céu, dentro de nós e em todas as partes do Universo.
Santificado seja o Teu Nome, acima de todo nome.
Venha a nós o Teu reino de Justiça e de Verdade.
Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como em todo o Universo, a saber, o Amor e a Concórdia.
O pão da humildade e dignidade, daí a todos, Senhor.
Perdoai as nossa dívidas pretéritas e presentes, dando-nos o ensejo de redimí-las,
e perdoaremos a todos que, na sua ignorância,
nos caluniam e prejudicam.
E não nos deixeis cair na tentação da matéria corrompida,
mas livra-nos do Mal e, coloca-nos acima dele.


Que assim seja.

OS QUE NÃO AMAM


A distância do Amor gera monstrengos.
Antropofágicos seres do Mal
Que se comprazem na desgraça
Que não compartilham o sono dos justos.
Sedentos de sangue humano
Chafurdando vão em pútridos despojos
Ensandecidos pela sede de poder
Enegrecidos pela vida alienada
Distorcidos
Corrompidos
Presunçosos
Presumidos
Amorais
Canibais
Imundos
Boçais
Analfabetos no Bem
Ignorantes do Belo
Escarnecem a Justiça
Perseguindo inocentes
Não importam os meios
Só importam os fins
Infelizes, desgraçados
Colherão espinhos bravos
Única messe possível
De vidas inteiras que se voltam ao Mal
No lamaçal hão de atolar
De suas vítimas, na vingança colossal.


José Luiz 2003

OS ESPINHOS


Se soubesses amigo, que os espinhos.
que te ferem a carne de dor lancinante,
são instrumentos benditos,
banhados em luz em luz fulgurante!

Tenta sentir as dores da cruz;
Dos cravos horrendos nas mãos de Jesus;
A dor da humana carne que te dá o exemplo;
E que te convida à não- revolta contra o sofrimento!

Não os sofrimentos do abuso alheio
Sobre teu suor que corre desordeiro.
Mas os espinhos d’alma que se não evitam
e que são tão fortes quanto a desdita.

Não! Não esbravejes contra a ponte
que remir-te vai.
Encontra a resposta na grande História;
gravada em ti mesmo em milênios obscuros.
Sobe aos altos montes
Reflete em teu seio
Que o madeiro a alçar teu corpo desfeito
Servir-te vai de ponte pra cruzar os rios.
Esses rios bravios que nos metem medo!

Desperta amigo!
A alvorada vem!
A iluminar tua fronte cansada de aquém,
E verás que a cruz de tão grande peso;
Que os espinhos, cravos do teu sofrimento
Hão de transformar-se em lágrimas de alento.
JOSÉ LUIZ 2008

ORAÇÃO


Senhor de bondade,
Venho agradecer-Te,
pela vida e pela morte,
pela paz e pelos conflitos,
pela dor e pelo Dom da cura,
pelos amigos e pelos inimigos.
por minha família e por meu trabalho,
por ser parte da grande engrenagem
mergulhada em Ti.
Senhor, dá-me a graça de ser:
luz nas trevas da ignorância e do ódio,
paz nas desavenças,
força na fraqueza,
alegria na tristeza,
esperança na aflição.
Senhor, apressa-Te em socorrer:
a todos os aflitos,
aos pais que choram por seus filhos,
aos filhos que lamentam o desamor
entre seus pais,
aos encarcerados em grades de ferro
ou em si mesmos,
aos excluídos da sorte e do bem comum,
aos deprimidos.
Senhor, socorrei a todos os enfermos
em suas dores físicas e morais.
Enfermos do corpo e da alma,
aos que aqui ainda se encontram e
aos que já se despiram da carne.

Que assim seja.

O SER HUMANO


O ser humano?
Devo amá-lo ou odiá-lo?
Maravilhoso, cheio de astúcia.
Mas tantas vezes ignorante,
De que na Terra é um viajante.
E junto ao tempo irão passar,
Tantas pessoas a caminhar.
Tu és demônio ou és um deus?
Tu és o Bem, tu és o Mal?
Frivolidades e ilusões.
Inconsciência, decepções.
Tu és a imagem do ser divino.
Tu és sujeito do teu destino.
Os pés na Terra, olhos no céu.
Eivada a vida de desatinos.
Caminho torto, caminho ao léu.
E nos caminhos desta viagem,
Quanta maldade, quanta miragem!
O teu destino é o Grande Ser.
Mesmo em milênios pra Ele irás.
E assim prostrado te humilharás.
Pois Sua grandeza é infinita.
É o Deus dos deuses, a luz bendita.

José Luiz 2003

NÁUSEA

Frivolidades nauseabundas,
daqueles em que a mesquinhez abunda.
Daqueles que a vaidade corrompeu.
Dos que nada refletem sobre o “Eu”
Daqueles que em grande festa choram.
Daqueles que em grande pranto riem.
Daqueles que a inveja degradou.
Daqueles que valor dão às migalhas.
Daqueles que constróem mil muralhas.
Se fecham para o Sol e para a Luz.
Se agridem e promovem os tabus.
Daqueles que distorcem a verdade.
Daqueles que destroem amizades.
Daqueles que em engano violento,
presumem-se do mundo ser o centro.



José Luiz 2003.

MÃE

Oh minha mãe, se pudesses voltar!
Abraçar-me-ia a teus pés,
Chorando, sorrindo e pedindo:
Perdão!
Pelas palavras mal faladas,
Pela existência sofrida,
Pelas chagas e feridas
Que fiz em teu coração!

Tu bem sabes que te amo.
Que por toda a minha vida
Temi a grande ferida
Que hoje trago no peito.

Tu eras a razão de meu viver!
À luz dos teus olhos serenos,
Tão tranqüilo descansava.
Mas hoje as trevas invadem,
Sem compaixão ou piedade,
Os frangalhos de meu ser.

Hoje grito sem resposta:
Onde está o teu sorriso?
A dor que sinto é tamanha
A solidão me devora,
Por que partiste tão cedo?
Por que tu foste embora?

Oh dor suprema
Que a cada dia cresce.
Como seta flamejante e rude,
Canção e alegria emudecem.





JOSÉ LUIZ
1991

LUZ


Novamente as trevas.
Novamente a escuridão.
Pesam-me o peito e estas chagas,
Pesa-me a vida como vagas.
A tarde lá fora, é linda.
Mas negro vai meu coração.
E a luz me foge aos sentidos.
E a paz desaparece sem perdão.
Sou condenado, sou ferido,
Sinto que parte a salvação,
Oh, alma triste, acabrunhada,
Por que te entregas à tristeza?
Tu, que contemplas a beleza,
Desde sol lindo, desta luz?
Dos belos gestos da harmonia.
Do entardecer o fulvo céu.
Das cachoeiras o sussurro.
Dos interiores o sertão.
Dos altos montes os penedos.
Do céu carmíneo as tempestades,
E do Senhor a compaixão?
Que acaricia nossas frontes,
Com ternos beijos paternais.
Que infla a vida de mistérios,
Pra que avancemos sem cessar?
Marcha perene do progresso,
Que nos obriga a caminhar.
Que como o sol, mesmo cansado,
É obrigado a amanhecer.
Mesmo tão triste e esmagado,
Sou obrigado a padecer.
Mas nesta vida, tudo passa.
Sei que a Passagem é real.
Quero seguir nessa viagem,
E um dia em luz me transformar.
E cessarão todas as dores.
E do Senhor, as lindas mãos.
Hão d’estas lágrimas secar.
Felicidade sem limites,
Fonte perene a jorrar.
Vida sem fim, vida de luz.
Vida de paz, com meu Jesus.

José Luiz 2003

ERROS


Erramos tantas vezes.
Abandonando a cruz à beira do caminho.
A cruz que nos faria felizes.
A cruz que ponte seria,
Na abissal travessia,
Composta de pedernais caminhos,
Do tempo que nos intriga,
Da vida que nos fustiga,
Do cansaço que nos congela mil vezes,
Mil vezes nos faz cair.
E os que por nós vão passando,
Vão meneando as cabeças.
Tão poucos nos trazem luz.
Tão poucos nos incentivam.
Tão poucos são Cireneus,
Mas muitos nos martirizam.
E tantos nos querem mortos.
São tantos que nos castigam.
Pisando os dedos cansados,
Que em vão se agarram às pedras,
À beira do precipício.

José Luiz
27/02/2004

DOR E ESPERANÇA


Ao contemplar o mundo de mistérios,
Minh’alma estanca e empalidece.
E ao refletir na paz dos cemitérios,
No fim das glórias dos impérios,
Ouço apenas o som de longas preces.

E qual tesouro por anos escondido,
Nas profundezas fofas de uma terra,
Busco a felicidade, sem destino.
E na memória guardo desatinos,
Inconscientes, dormentes bestas-feras.

Porém é neste céu de esmeraldas,
Que avisto os louros verdes da esperança.
Quem sabe um dia encontre meus queridos,
Que há tempos atrás, tão doloridos,
Partiram, e hoje guardam mil crianças.

E aos ecos desta crença me enterneço,
Nutrindo de energias minha lida.
Expectante, avisto mil belezas.
Contemplando a Deus na natureza,
Dando sentido à minha pobre vida.

Oh meu Jesus, contemplai minhas misérias!
Causadas por mentiras e calúnias.
Não permitas que minh’alma se enegreça.
Não permitas que a bondade adormeça,
Pois dos justos já sorvo a taça ebúrnea.


José Luiz 2003

DEUS É AMOR


Mágoas, dores, decepções, tristezas...
Ah se soubéssemos quão pequenas são diante da amplitude de Deus em seu verdadeiro sentido!
Como almejaria que todo o amor do universo infinito buscasse guarida nos corações! Todo o amor, do qual os homens jamais deveriam ter se afastado, desde o princípio. Pois na verdade, tudo se resume nesta única palavra: AMOR. A felicidade e a paz são suas filhas mais queridas.
Mas, o que é o amor?
O amor nunca foi egoísta, não se resume a uma única pessoa. Sentimento tal, jamais deveria ser chamado amor. Todos nós, mergulhados estamos em Deus e Ele é Amor. Sendo assim, o Amor sublime é o que ama a todos indistintamente, até aos maiores inimigos. Longe estou de alcançar tal sublimidade, pois às pequenas coisas ainda me apego, tal como a criança insiste ser seu um brinquedo que não é.
Quão bom seria se todas as pessoas se conscientizassem de que “todos nós fazemos parte de uma história sem fim! Não buscariam gozar desesperadamente de todos os prazeres que nossa passageira vida oferece. Todas as almas se asserenariam nos “grandes braços de Deus” e compreenderiam o verdadeiro sentido da vida”.
Mágoas, dores, decepções, tristezas... São simplesmente sombras que desaparecem, sombras que nada têm a ver com a realidade da vida que jamais acaba!
Oh, quão feliz seria se tivesse compreendido tais verdades há tempos atrás. As montanhas seriam então, castelos de areia, e a revolta amarga jamais teria em mim feito morada! Mas nunca é tarde, pois nossa história não tem fim. A tristeza morre, mas a felicidade pode ser eterna!

CORPO

Adora o teu corpo.
Pois tua mente
é uma colcha de retalhos
sujos, fedorentos, nauseabundos.
Cultiva o teu corpo,
na animalização necessária
do sexo sem medidas,
do prazer a qualquer custo.
Da alma deformada,
por paixões inconfessáveis.
O corpo: única coisa que te resta.
O corpo: transitório, de uma aridez causticante,
intrigante, galopante.
O corpo: dom divino que não mereces.
Instrumento de glória,
que tratas como simples objeto.
Instrumento que não sabes manusear.
Pois tua alma é animal
que não se sacia jamais.
Que chafurda nos despojos pútridos
da própria selvageria.
Que se junta aos males
torpes deste mundo.
Adora teu corpo, pois;
é a única coisa que te resta.
No frenesi incontido,
enlouquecido de consumir.
Anestesia que embala
um mundo corrompido, sem sentido.
Alucinógeno tão útil
gerando lucros insaciáveis,
descartáveis, deploráveis.
Daqueles que se fartam
de alheios tesouros,
juntados a tanto custo.
Daqueles que se furtam
aos verdadeiros sentidos,
desconhecidos, ocultos e doloridos
Pois teu deus é o teu corpo.
Mas deves lembrar-te sempre:
matéria corruptível...
matéria corruptível...
matéria corruptível.
José Luiz 2003

ARREPENDEI-VOS

Até quando, seres terrenos,
chafurdareis nos vales pútridos?
Até quando sereis trevas?
Até quando sequidão?
Até quando vazia solidão?
Até quando não haveis de vislumbrar
a luz que vos rodeia?
Até quando vos entregareis ao crime,
à lascívia, ao ódio?
Não percebeis que odiando ao vosso irmão,
odiais a vós mesmos?
Tudo o que vive está interligado
num Grande Todo.
Não vos enganeis. O acaso e o nada
simplesmente não existem.
Cedo ou tarde sereis convocados ao
tribunal de vossa própria consciência,
através da dor lancinante em regiões sombrias.
Então o vosso ódio há de se agravar ou atenuar?
Bastará o arrependimento sincero
e as coisas mudarão.
A tempestade há de dar lugar à
bonança de renovadas esperanças.
Porém, havereis de aguardar o desenlace?
Na verdade, “aguardar” não é a palavra certa.
Havereis de deixar cegamente a vida passar?
E ela passa como vento destruidor.
A luz sempre foi o vosso destino.
Por que preferir as trevas?
Não havereis de retardar a luz por muito tempo.
Ela virá dissipar toda a escuridão.
Então aqueles que persistirem nas trevas,
não mais terão lugar aqui.
Arrependei-vos e aproveitai os derradeiros
momentos de vossa grande oportunidade.


José Luiz da Silva 2004

ANJOS DE LUZ


As mães são anjos benditos,
A quem Deus confiou a luz.
As mães são seres bonitos
Que com amor infinito
Carregam dos filhos a cruz.


Oh morte, por que separas,
Aqueles que tanto se amam?
A campa fria escancaras,
Com suas bocas bizarras
Recolhem corpos de anjos.


Mas anjos não morrem nunca.
Estão a velar por nós.
Invisíveis, luminosos,
Silenciam a voz atroz


Oh, minha mãe tão querida!
Sei que estamos sempre unidos.
Não estás na tumba fria,
Pois encontraste teus guias,
e nossos anjos amigos.


E ansioso aguardo o dia,
De em luz te contemplar.
E músicas inefáveis, maravilhosas,
Em esferas de luz garbosas,
Vamos felizes cantar.


José Luiz

2003

AMIGO MAIOR



Jesus, Jesus, Jesus.
Só este nome nos acalma as dores
Jesus, Jesus, Jesus.
Iluminai nossas vidas.
Atenuai nossas dores


Por que se inquieta minh’alma?
Por que me sinto infeliz?
Por que te inquietas, minh ‘alma?
Sê Jesus a minha paz!
Se tudo está em Suas mãos
Por que se inquieta minh’alma?
Por que tanta solidão?


Saudade tenho de Ti.
Lindo Mestre Galileu.
Sorrindo dizes meu nome.
Chorando estou de emoção.
Avanço e beijo Teus pés
Oh, minha consolação!
Sei que a luta não é em vão.


Não sou digno de ti
Sombrio é o meu coração.
Mas o amor de meu Mestre
Consola-me a solidão.
Quando tão frágil eu me sinto
Quando há trevas no abismo
Ele me estende Suas mãos.


Oh, dia lindo e longínquo!
Em que hei de contemplá-Lo
Esta esperança me acalma
Esta esperança me embala.
Mas a jornada ainda é longa.
Vencer a mim eu preciso
Nascendo, morrendo e nascendo.
Chegarei ao paraíso.
JOSÉ LUIZ - 2008

domingo, 7 de setembro de 2008

ILUSÕES


Tudo é tão passageiro
Como as águas daquele rio
Tudo tão lisonjeiro
“Vaidade das vaidades; vazio”.

É esta a dor da alma triste
Estar feliz agora; e depois?
Perder a tudo o que mais se ama.
Perder a luz dos olhos, perder o amor.

Vazio está meu peito, sem guarida.
Vazia vai a vida até o fim.
Vazio serei na hora da partida.
Vazio de graça, vazio de mim.

Oh, Deus dos tristes combalidos.
Não permití que a vida passe assim.
Quero o meu ser abrir a todos seres.
Ser ponte, ser rio, ser um festim.

Mas ao pensar na perda do que amo.
As ilusões que vão além do sonho;
Enche-me o ser triste amargor
E sinto a morte a arrefecer a dor.

José Luiz
2008