domingo, 14 de setembro de 2008

MÃE

Oh minha mãe, se pudesses voltar!
Abraçar-me-ia a teus pés,
Chorando, sorrindo e pedindo:
Perdão!
Pelas palavras mal faladas,
Pela existência sofrida,
Pelas chagas e feridas
Que fiz em teu coração!

Tu bem sabes que te amo.
Que por toda a minha vida
Temi a grande ferida
Que hoje trago no peito.

Tu eras a razão de meu viver!
À luz dos teus olhos serenos,
Tão tranqüilo descansava.
Mas hoje as trevas invadem,
Sem compaixão ou piedade,
Os frangalhos de meu ser.

Hoje grito sem resposta:
Onde está o teu sorriso?
A dor que sinto é tamanha
A solidão me devora,
Por que partiste tão cedo?
Por que tu foste embora?

Oh dor suprema
Que a cada dia cresce.
Como seta flamejante e rude,
Canção e alegria emudecem.





JOSÉ LUIZ
1991

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