sábado, 30 de agosto de 2008

ANCIÃO


Um ancião sereno e amargurado
Prostrado e encurvado à beira do caminho.
Vertendo de seus olhos tristes lágrimas
Da vida tão cruel, de seu destino.
Sentindo a solidão ao fim da lida
Murmúrios no silêncio de seu peito
Desilusões aos pés do triste leito
A vida de suor, de sangue e lágrimas
A se extinguir plangente, ao léu, no estio
A força é que lhe falta prá morrer
A angústia da agonia a renascer.
O antigo viço, agora erva seca
Qual cana agitada pelo vento
A luz no fim do túnel tão distante
Faz renascer da vida a esperança
Da vida verdadeira e perene
Qual bonança após a tempestade
As luzes fulgurantes da alvorada
Vão inundando aos poucos o tugúrio.
Os seres cintilantes se aproximam
Com belas mãos apontam a escada
Que está ali, brilhando ao fim da estrada
E a vão transpondo em átimo feliz
Levando ao que renasce para a luz!

José Luiz 2003

REALIDADE IRREAL


Dormes. Não é este o mundo real.
Dormes. Não é esta a vida ideal.
Vives, mas não compreendes o mal.
E assim vegetas num charco mortal.
Ouves. Mas na ilusão, nada compreendes.
Vês. Mas o que vês não é real.
O que vês? O que vês?
Mundo imperfeito, enfermo, distorcido.
Homem sem razão, fremente, ensandecido.
Flores pálidas, frágeis, tão mortais.
Rosas que cintilam, tão belas, nos canais.
Mas que ao fim da tarde, tão pálidas,
Acompanhadas de suas crisálidas,
Desfalecendo, retornam ao Grande Ser.
Assim também és tu, que te glorias,
Visita os cemitérios e vê, quão curta a vida!
E um dia ali também teu corpo há de encontrar,
Repouso eterno e vil
Final indesejado, temido, amargurado.
E a ilusão que vês, assim, não mais será.
E a bela jovem de formas encantadas, amadas.
Em pouco ou muito tempo será indesejada,
Pois tudo volta ao pó do qual saiu.
Em pouco ou muito tempo, ao chão, tudo ruiu.
E assim caminha a vida, que não se explica nunca.
E assim os nossos sonhos, pouco a pouco se desfazem.
O lume que dá vida, pouco a pouco se apagando.
As coisas caminhando, em marcha irracional.
Os homens se matando, macabro ritual.
Benéficas mensagens se perdem no astral,
E tu que não escutas, és surdo, és sepulcral.
Assim a vida marcha, efêmera, irreal.


José Luiz 2003

BATALHA


Insultam-me,
Caluniam-me,
Desprezam-me.
Atiram-me no abismo.
Implacáveis suas línguas.
Ácidas, venenosas,
Implacáveis, mentirosas.
Mais mortais que a cicuta de Sócrates.
Mais dolorosas que a cruz de Cristo.
Mais cruéis que a forca de Tiradentes.
Polutos pensamentos exprimem.
Torpes intentos da alma.
Fustigantes,
Degradantes,
Massacrantes,
Humilhantes,
Horrorizantes.
De Deus distantes.
Enquanto debato-me,
Suplico forças ao céu.
Cada dia a batalha é mais cruel.
Mas um dia hei de chegar
Ao topo íngreme do monte
Pois forte é a mão que me sustenta.
Proteção inabalável é a Fonte.
A Ele devo o sopro da vida.
Justo e fiel é o meu Rochedo.
Luz de toda a verdade.
Farol a guiar minha nau
Nele um dia vai reluzir minha verdade,
Pois como disse Davi:
Diariamente “lavo as mãos na inocência”.

José Luiz
29/03/2004

DE QUE FALO?


De que Falo?

Grande mestre,
Grande médico,
Grande remédio,
Para a ira,
Para o tédio,
Para o desejo,
Para o sonho,
Para a dor,
Para as feridas d’alma,
Para a força do jovem,
Para a senilidade do velho,
Para a vida farta
Para o infante tornar-se homem,
Para a tristeza
Para a alegria
Para a vida,
Para a morte.
De que falo?
Daquele que nos rege: O TEMPO.

José Luiz
29/03/2004

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

DEUS


Idéias.
Idéias que se encontram.
Idéias que se chocam
Idéias que se cruzam,
Idéias que se tocam.

Religião: ligação, re-ligação
Com o Deus que em tudo está.
Com esse ser grandioso,
que os mundos faz girar.

Início de todo ser.
Do micro ao macro poder
As galáxias girando,
Guiadas por Seu querer.

Cidadãos do universo!
Eis a Vida em toda a parte!
Palavras são imperfeitas,
Prá mostrar de Deus a arte,

Idéias se digladiam,
Palavras, vãs teorias.
Pois a UNIDADE da vida
Está mergulhada no Eterno
Que a tudo e a todos sustenta

José Luiz
21/11/2005

A PONTE

Senhor, forças almejo prá cruzar a estrada.
Dignidade para a taça de aflições.
Saber agradecer por meus tormentos,
Que vão moldando elementos,
Fortalecendo as entranhas d’alma.
Almejo a Tua Paz nas tempestades.
Almejo o Teu Amor nas calmarias.
Que a Ponte que me leva à outra margem,
Não seja renegada em minha vida.
Pois esta ponte é feita de aflições,
Amargos dissabores e prisões.
Num corpo onde vigora a imperfeição.
Na alma que celebra a salvação.
Na vida que é sombra do porvir,
Senhor, oh, daí-me forças prá existir!


José Luiz 2003

sábado, 9 de agosto de 2008

JUCUNDA INCONSCIÊNCIA

Por vezes, quando a alma fica lúcida,
Perplexa, da vida quer sentido.
Amargamente se vislumbra o fim da luta.
E de terror se enche o destemido,
Que se propaga ao frio sidério e alto
Dos astros que nos olham sem piedade,
No drama em que se esfalfalm nossas vidas.
Na busca de uma só realidade,
Na busca de uma só felicidade.
No grito clamoroso, no deserto.
Tão longa a lassidão e desatinos certos.
Que fazem duvidar de um bom destino.
Arrancam de meu peito as esperanças.
Ao contemplar miséria nas crianças,
Que em lugar de pão têm fel rascante,
De amarfanhados sonhos que não chegam,
De tépidos olhares que humilham.
O que esperarei da treda estrada?
Pois certo é o fim, talvez o nada.
A morte nos espreita no caminho.
De pressurosos passos nos vestimos,
Na faina desmedida desta vida,
Que anestesia a parca lucidez.
Jucundos caminhamos para o fim.

José Luiz
24/03/2004

AMOR ETERNO


Olhos de luz que me guiam,
Na estrada triste da vida.
Olhos de luz que me encantam,
Cicatrizando as feridas.

O nosso amor é maior
Que as ilusões deste mundo.
O nosso amor é sem-par.
O nosso amor é profundo.

Amor que tudo suporta.
Amor que a tudo perdoa.
Amor que abre as portas.
Amor melhor que as coroas.

Oh Deus meu Pai, não permita,
Que o destino nos separe.
Não se dê esta desdita.
Juntos morramos sem males.

(À minha esposa Luzia - José Luiz - 2003)

ÁGAPE


O amor é a força que move os mundos.
Que rege a vida;
Que rege a paz;
Que ataca o ódio;
Que o desfaz!
Que te humaniza;
Que te refaz!

O amor te anima,
Equilibra-te;
Aumenta-te a vida.
Dá-te virtude,
Dá-te saúde.
Lava-te alma,
Dá-te a calma,
Refrigera-te.
Regenera-te.

José Luiz
2008

O ÓDIO É FEL

Não odeies jamais!
Ódio é veneno.
Ódio é fel.
Ódio é treva em teu céu.

Se te chafurdam a honra
No lamaçal de suas vidas,
Entrega a Deus tua causa.
Ele é Juiz, é guarida.

Se te desnudam o corpo,
luta contra os teus tiranos.
Porém, jamais te esqueças,
que a dor traz bênçãos, encantos.

A dor esmerilha a vida.
Ela te conduz à luz.
Não fosse a dor por que passas,
não te aterias à cruz.

Por isso, querido amigo:
Ora por teus inimigos.
Para cada fruto o tempo.
Pra ti a paz é abrigo.

José Luiz
2008