sábado, 9 de agosto de 2008

JUCUNDA INCONSCIÊNCIA

Por vezes, quando a alma fica lúcida,
Perplexa, da vida quer sentido.
Amargamente se vislumbra o fim da luta.
E de terror se enche o destemido,
Que se propaga ao frio sidério e alto
Dos astros que nos olham sem piedade,
No drama em que se esfalfalm nossas vidas.
Na busca de uma só realidade,
Na busca de uma só felicidade.
No grito clamoroso, no deserto.
Tão longa a lassidão e desatinos certos.
Que fazem duvidar de um bom destino.
Arrancam de meu peito as esperanças.
Ao contemplar miséria nas crianças,
Que em lugar de pão têm fel rascante,
De amarfanhados sonhos que não chegam,
De tépidos olhares que humilham.
O que esperarei da treda estrada?
Pois certo é o fim, talvez o nada.
A morte nos espreita no caminho.
De pressurosos passos nos vestimos,
Na faina desmedida desta vida,
Que anestesia a parca lucidez.
Jucundos caminhamos para o fim.

José Luiz
24/03/2004

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