sábado, 30 de agosto de 2008

REALIDADE IRREAL


Dormes. Não é este o mundo real.
Dormes. Não é esta a vida ideal.
Vives, mas não compreendes o mal.
E assim vegetas num charco mortal.
Ouves. Mas na ilusão, nada compreendes.
Vês. Mas o que vês não é real.
O que vês? O que vês?
Mundo imperfeito, enfermo, distorcido.
Homem sem razão, fremente, ensandecido.
Flores pálidas, frágeis, tão mortais.
Rosas que cintilam, tão belas, nos canais.
Mas que ao fim da tarde, tão pálidas,
Acompanhadas de suas crisálidas,
Desfalecendo, retornam ao Grande Ser.
Assim também és tu, que te glorias,
Visita os cemitérios e vê, quão curta a vida!
E um dia ali também teu corpo há de encontrar,
Repouso eterno e vil
Final indesejado, temido, amargurado.
E a ilusão que vês, assim, não mais será.
E a bela jovem de formas encantadas, amadas.
Em pouco ou muito tempo será indesejada,
Pois tudo volta ao pó do qual saiu.
Em pouco ou muito tempo, ao chão, tudo ruiu.
E assim caminha a vida, que não se explica nunca.
E assim os nossos sonhos, pouco a pouco se desfazem.
O lume que dá vida, pouco a pouco se apagando.
As coisas caminhando, em marcha irracional.
Os homens se matando, macabro ritual.
Benéficas mensagens se perdem no astral,
E tu que não escutas, és surdo, és sepulcral.
Assim a vida marcha, efêmera, irreal.


José Luiz 2003

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