
Senhor de Nazaré,
Nossa luz suprema, Senhor de nossa fé.
Contempla nossas dores, angústias, dissabores.
Ampara nossas débeis mãos.
Tão frágeis, tão perdidos,
Vivemos em gemidos,
Mas em Ti nada é vão;
Contempla os desvalidos,
Ampara os excluídos
Do odioso sistema, da opressão.
Dos que não temem Teu Nome,
Nome acima de todos os nomes.
Defensor dos aflitos, dos mendigos,
Ouve Senhor o frêmito gemido,
Dos que clamam por justiça.
Abandonados rebentos,
Que não vislumbram mais luz.
Dolorosamente pregados,
Continuam Vossa Cruz.
Dos que na angústia infinita.
Vêm-se na grande desdita,
De não terem o seu pão.
De porta em porta clamando,
Trabalho em vão mendigando,
Saídas não acham mais.
Dos que presos ao leito implacável,
Não podem mais nem clamar,
E da bebida rascante
Do sofrimento infamante
Sorvem a taça de fel.
Da morte que espreita a vida,
Vergastados por feridas.
Por resposta o próprio eco,
de lancinantes clamores que não se fazem ouvir.
Piedade, oh Mestre Divino,
Dos que crêem que o seu destino
É desfrutar prazeres loucos,
De drogas alucinantes,
Abismos de dor carregam, em toneladas de fel,
Aos pais que desfalecidos,
Jazem na dor da impotência cruel.
Dos que a ilusão das riquezas,
Amorteceu os sentidos.
Que do mundo se acham donos.
Desprecatam-se da lida,
Esquecem-se da fadiga,
Oprimem o sofredor.
E na poluta existência,
Cultivam prazeres tredos.
Dos que morrem sem morrer.
Inconscientes, insanos,
Desesperados tiranos,
Só no corpo a esperança.
E quando este é tirado,
Continuam apegados
A frivolidades mil.
Senhor, acode aos que sofrem.
Pois és a Porta, a saída.
Esperança em nossas vidas,
Nossa paz, nossa guarida.
José Luiz 2003

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