quinta-feira, 17 de julho de 2008

AMÉRICA DE SANGUE

Aventureiros sequiosos,
Sequiosos por ouro,
Sequiosos por almas.
Aqui aportaram.
Acalentando ilusões.
Mas o mel tornou-se acerbo.
Acerbo para as almas nativas.
Nativos traspassados pelo gládio,
Devorados pelos cães,
Decepados,
Massacrados,
Humilhados.
Rios de sangue nas Américas garbosas.
Rios de sangue misturados.
Rios de sangue nos formaram.
Ultraje infamante e bizarro,
Abençoados por Cortez e por Pizarro,
Pela cruz, pelo papa, pelas coroas,
Sedentas de ouro,
Sedentas de almas.
Sedentas de sangue,
Sedentas de vidas.
Gritos horrendos que ainda ouvimos,
Dos mártires sem altares,
Vergastados por ferros candentes,
Sentados sobre braseiros,
Urrando por toda a noite,
A divertir seus algozes,
En nome de la cruz,
En nome del papa,
En nome del rey.
Mães paralisadas, aterradas,
Desesperadas.
Gritando a dor lancinante,
Vendo os frutos de seus ventres
Partidos ao meio,
Pelo fio da espada.
Paladinos de escuras vestes
Abençoando as chacinas,
En nome de la cruz,
En nome del papa,
En nome del rey,
En nome de la Santa Madre,
En nome del Roma,
Em nome del Padre.
Aos agonizantes, o céu cristão apontavam.
Mas estes não queriam céu,
Queriam a ordem em que dantes’tavam.
Doentes contaminados
Doentes angustiados.
Agitavam-se no tremedal que do mar chegava.
Chagados,
Curvados,
Vergastados,
Excruciados.
Vetustos martirizados.
Mulheres que na desgraça, violentadas,
Não tinham mais expressão.
Quanto mais clamavam clemência,
Mais mergulhavam na escuridão.
Assim formava-se o povo.
Assim fincava-se a cruz.
Templos erguidos sobre ruínas.
Civilizações soterradas.
Bárbaro genocídeo,
Nativos silenciados,
Culturas aniquiladas,
En nome de la cruz,
En nome del papa
En nome del rey,
En nome de la Santa Madre,
En nome del Padre.
Nativos aniquilados,
Ainda hoje apenados,
Pela fome,
Pelo frio,
Pela falta de esperança,
Pelo choro das crianças,
Pela dignidade que não chega,
Pelo emprego que não há,
Pela paz que não se encontra,
Pelo fel e pelo sangue,
Pela cruz e pelo lanho,
Pelo domínio do estranho.

José Luiz
12/04/2004.

Um comentário:

Anônimo disse...

Estão perfeitas suas colocações meu irmão!! eu me orgulho muito de vc, da sua visão sensível sobre as coisas e temas!!! Neste caso em relação a América de Sangue parece muito complexo, rsss assim como todas as coisas. Imagine se a raça branca fosse uma tipo alienígena exportada por algum PROGENITOR que tinha em mente forçar a raça nativa a explorar mais os recursos naturais deste planeta até então denominado "Planeta Verde", puro de tanta exploração e gerando tanta transformação como vemos atualmente!! porque os nativos, em minha leiga opinião, viviam da caça e pesca e simples proteção da natureza!! ai ai, mas e esses brancos paradoxos com suas necessárias ou desnecessárias invenções?? com suas armas de guerras?? comprometeram o futuro do nosso lindo planeta!!! será isto evolução?????

Paulinho (seu irmão mais velho) 15/09/2008